EM CUIABÁ
Juiz cita ações “planejadas e progressivas” e mantém preso ex-perito que teria armado flagrante contra ex
Nickolly Vilela
A Justiça converteu em preventiva a prisão de Thyago Jorge Machado, ex-perito da Politec acusado de plantar 890 gramas de cocaína no carro da ex-companheira para tentar incriminá-la por tráfico de drogas.
A decisão foi tomada na terça-feira (1º), durante audiência de custódia na 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, em Cuiabá. O Ministério Público pediu a manutenção da prisão, enquanto a defesa solicitou liberdade provisória.
Ao analisar o caso, o juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires apontou que os fatos atribuídos a Thyago fazem parte de uma sequência de condutas “planejadas e progressivas” contra a vítima, o que, na avaliação do magistrado, demonstra risco de repetição dos crimes.
A mulher já havia relatado à Polícia Civil uma série de episódios anteriores à descoberta da droga, entre eles denúncias feitas contra ela no Ministério Público, no Coren, no Corpo de Bombeiros e na Prefeitura de Cuiabá, além de ameaças e monitoramento de sua rotina.
A investigação apontou que Thyago teria colocado a cocaína no veículo e, depois, feito uma denúncia para provocar a abordagem policial. O laudo da Politec confirmou que o tablete apreendido tinha 890 gramas e continha cocaína.
Na decisão, o juiz considerou configurado o flagrante por denunciação caluniosa em contexto de perseguição. Segundo o magistrado, a operação policial contra a mulher teria sido provocada por ações do próprio acusado.
O flagrante por tráfico e ameaça foi relaxado por uma questão técnica, porque esses crimes não estavam ocorrendo no momento da prisão. O juiz ressaltou, porém, que continuam existindo indícios de autoria e materialidade em relação aos dois delitos.
Thyago também é investigado por resistência. O processo reúne apurações por tráfico de drogas, ameaça, denunciação caluniosa e crimes relacionados ao contexto de violência doméstica.
Com a conversão, ele seguirá preso enquanto o inquérito é concluído. A Justiça determinou ainda que a Polícia Civil finalize a investigação com urgência.



