RACHA NA SIGLA
Tião da Zaeli rejeita expulsão de prefeitos aliados a Pivetta e cobra diálogo no PL
Renato Ferreira
O ex-prefeito de Várzea Grande Tião da Zaeli (PL) se posicionou contra a expulsão de lideranças da sigla que decidiram apoiar a candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso. Para ele, a punição seria uma medida “extrema” e o partido deve buscar uma solução para o impasse por meio do diálogo.
A declaração ocorre em meio ao racha provocado pela decisão de prefeitos eleitos pelo PL de apoiar Pivetta em detrimento do candidato do próprio partido, o senador Wellington Fagundes. Entre eles está a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, que tornou pública sua adesão ao projeto eleitoral do Republicanos.
“Eu não concordo com a expulsão. É uma medida muito extrema. O importante é o diálogo e buscar um caminho. Tem que observar também a eleição passada e quais foram os comportamentos dos candidatos. Cada um tem sua dor, cada um tem sua angústia”, afirmou Tião.
A possibilidade de punição ganhou força diante das cobranças por fidelidade partidária feitas por dirigentes e integrantes do PL. Embora Wellington seja o nome oficial da legenda na disputa pelo Palácio Paiaguás, parte dos prefeitos e lideranças municipais resiste a subir em seu palanque e prefere permanecer na base política de Pivetta.
Para Tião da Zaeli, porém, a fragmentação não está restrita ao PL e reflete uma crise mais ampla no sistema partidário. Segundo ele, as legendas têm encontrado dificuldades para manter seus integrantes unidos em torno de um mesmo projeto eleitoral.
“Nós estamos vivendo uma crise dos partidos. Acho que até o nome diz: partido vai continuar partido, porque cada um pensa de um jeito. A gente não tem visto unidade em todos os partidos, não só dentro do PL”, avaliou.
Questionado sobre a justificativa usada por prefeitos aliados de Pivetta de que seria “melhor trair o partido do que trair a população”, Tião evitou adotar o termo e afirmou que a prioridade dos agentes políticos deve ser a sociedade.
“Não vou entrar no mérito da palavra ‘trair’, mas vejo que o foco é o eleitor, o foco é a sociedade. Independentemente de correntes ideológicas, nós temos que continuar trabalhando para o povo. O propósito de cada político tem que ser o povo, até porque, senão, ele terá carreira curta. A população saberá avaliar essa situação”, concluiu.



