Claudinei Santos da Silva, de 42 anos, tornou-se réu pelo feminicídio da própria filha, Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, morta em junho deste ano, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. A denúncia do Ministério Público foi recebida pela Justiça e inclui circunstâncias que podem agravar a pena em caso de condenação.
Segundo a advogada Dayane Rodrigues, que acompanha o caso, o Ministério Público ofereceu a denúncia em 2 de setembro e a acusação foi recebida pela Justiça no dia 4. Claudinei foi denunciado por feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.
A acusação aponta ainda que o crime teria sido cometido mediante asfixia e com recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da adolescente. A vítima também tinha menos de 14 anos, circunstância que prevê aumento de pena.
O laudo de necropsia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que Olga morreu em decorrência de asfixia mecânica por mecanismo complexo. A investigação concluiu que a menina foi atacada pelo pai após uma discussão relacionada a uma conversa que ela teria mantido com um garoto.
Relembre o crime
Olga foi morta na noite de 7 de junho, na casa do pai, no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. Conforme a investigação, ela passava o fim de semana com Claudinei e os dois haviam participado de uma confraternização para o avô da menina.
De acordo com a apuração policial, após retornar para casa, Claudinei questionou a filha sobre conversas que ela teria mantido com um rapaz pelo Instagram. Durante a discussão, ele teria agredido e esganado a adolescente.
A mãe foi até a residência para buscar Olga e, segundo o relato prestado à polícia, estranhou o comportamento do ex-companheiro. Claudinei teria dito que a filha não estava no imóvel e que havia saído para brincar na casa de uma vizinha.
A mulher insistiu em entrar e encontrou Olga caída em um dos cômodos, desacordada e com marcas de agressão. A menina foi levada para a UPA do Verdão, em Cuiabá, mas chegou à unidade já sem vida.
Após o crime, Claudinei se apresentou espontaneamente à Polícia Civil e foi preso em flagrante. A prisão foi posteriormente convertida em preventiva.
A versão apresentada pelo pai durante o interrogatório também é contestada pela família. Segundo a advogada que representa os familiares maternos, Olga não possuía celular próprio e utilizava o aparelho da mãe para conversar com o pai, além de não ter, segundo a família, perfil em rede social. O celular foi apreendido e encaminhado para perícia.
A família também informou que a mãe de Olga possuía uma medida protetiva contra Claudinei por um episódio anterior em que ele teria tentado contra a vida dela. Segundo a advogada, porém, não havia histórico conhecido de agressões dele contra a filha.
Olga era descrita pelos familiares como uma menina estudiosa, carinhosa e cheia de planos. Ela sonhava em ser policial e já preparava a festa para comemorar os 13 anos, que faria em setembro.
Com o recebimento da denúncia, Claudinei passa oficialmente à condição de réu e deverá apresentar resposta à acusação. Ele permanece preso preventivamente.



