ESQUERDA X DIREITA
Fávaro vê Flávio “até o pescoço” no caso Vorcaro; Medeiros pede “separação entre negócios e crimes”
Gustavo Castro e Renato Ferreira
O senador Carlos Fávaro (PSD), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (17) que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) precisa explicar sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as negociações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Em entrevista após o debate entre candidatos ao Senado promovido pela TV Vila Real, Fávaro afirmou que Flávio está “até o pescoço” envolvido no caso.
“Ele [Flávio Bolsonaro] deveria explicar o filme Dark Horse, deveria explicar os recursos do Vorcaro. Eu fui para Brasília e fiquei sete anos lá. Vocês podem ter certeza: ninguém viu o meu telefone na agenda do Vorcaro e muito menos o do Vorcaro no meu telefone. Sabe por quê? Porque fui para Brasília para trabalhar”, afirmou.
A cobrança ocorre após a retirada do sigilo de documentos relacionados às investigações do caso Banco Master. Segundo documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República divulgados neste mês, Flávio atuou como interlocutor de Vorcaro em negociações para obtenção de recursos destinados ao filme Dark Horse. A investigação apura a movimentação financeira relacionada ao projeto e possíveis irregularidades. Flávio nega ter cometido crimes.
Fávaro afirmou que a proximidade entre Flávio e Vorcaro precisa ser esclarecida e voltou a criticar a relação entre os dois.
“Eu nem sabia que esse cara existia e fazia tanto lobby. Já o Flávio Bolsonaro era intimamente ligado a ele, ligava pelo telefone e falava assim: ‘Ô irmão, deposita mais um pouco, estou precisando’. Ele vai ter que explicar isso. O eleitor quer saber, e essa malandragem que aconteceu com esse Vorcaro em Brasília precisa ser passada a limpo”, disse.
Na sequência, o senador afirmou que Flávio estaria “até o pescoço envolvido” com Vorcaro. Documentos divulgados pela investigação apontam negociações para o financiamento de Dark Horse e a atuação de Flávio como interlocutor nas tratativas. A apuração também busca esclarecer o caminho percorrido pelos recursos e possíveis relações com despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
“Quem for podre que se quebre”
Também candidato ao Senado, José Medeiros (PL) foi questionado sobre o caso e adotou outra posição ao comentar a relação de Flávio com Vorcaro. O parlamentar afirmou que é necessário diferenciar uma “negociação privada de eventual pagamento de vantagens ou proteção relacionada a decisões”.
“Se a régua for colocar o Flávio Bolsonaro por um negócio privado com contrapartida clara, com objeto jurídico claro como criminoso, então vai prender boa parte da clientela do banco, incluindo o Luciano Huck, incluindo Folha de São Paulo, o Estadão de São Paulo, o jornal Estadão”, afirmou.
Medeiros defendeu que sejam diferenciadas relações comerciais de eventuais contrapartidas ilícitas.
“Então a gente precisa separar do que é a advocacia administrativa, do que é relações espúrias de contrapartida sobre decisões e sobre proteção jurídica de negócios privados”, disse.
Questionado se defenderia o afastamento de parlamentares que aparecem nas mensagens apreendidas no celular de Vorcaro, Medeiros respondeu: “Eu defendo que quem for podre que se quebre. É esse o termo que eu defendo.”
O candidato foi então questionado se aplicaria a mesma regra a Flávio Bolsonaro, que também é investigado no caso relacionado ao financiamento de Dark Horse. Medeiros fez uma ressalva.
“Não, eu disse que quem for podre se quebre. Eu não tô falando que o Flávio é podre. Esse negócio aí é bem claro, um negócio privado com contrapartida de bilheteria. Não era assim, ‘olha, me dá tanto aí que eu vou votar pra você, assim, ou assado’”, declarou.
Ao final, Medeiros afirmou que os recursos de Vorcaro somente poderiam ser considerados ilícitos caso fossem utilizados para financiar crimes ou comprar autoridades.
“O dinheiro do Vorcaro é sujo quando ele financiar crimes, quando ele tiver comprando autoridades e por aí vai”, afirmou.
As declarações dos dois candidatos ocorreram após o debate da TV Vila Real, que reuniu nesta quinta-feira (17) os postulantes ao Senado por Mato Grosso.



