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MUNDO MILIONÁRIO

R$ 5 milhões por um pequeno adesivo: como são os patrocínios na Fórmula 1

Globo Esporte

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O aumento da popularidade da Fórmula 1 e o teto de gasto orçamentário das equipes criaram uma situação inédita na história da categoria: nunca houve tanta fartura de patrocínio e times conseguindo operar com lucro em todos os lugares do grid – e não apenas nas primeiras posições.

Com isso, há situações curiosas de patrocinadores que pagam mais de R$ 5 milhões a um piloto para estampar logomarca em um local que não é mostrado nas transmissões de TV. O retorno de mídia gerado pela exposição da marca durante as corridas acaba sendo um “bônus” para muitas empresas, enquanto a quantia investida é retribuída com a associação do produto a um piloto ou equipe de F1, trazendo valores como credibilidade, rapidez, eficiência e alta tecnologia.

Em resumo: algumas marcas não precisam ser mostradas de forma direta e repetida. Devem apenas estar inseridas no mundo da Fórmula 1.

– Muita gente tem impressão de que os patrocinadores buscam apenas a visibilidade nos carros durante a transmissão de TV. De fato, esse é um componente importante, mas a maior parte dos patrocinadores tem interesse em fazer ativações e experiências exclusivas, além de usufruir do network que a F1 oferece, usar os pilotos como garotos-propaganda e explorar a ligação dos valores da categoria com aqueles que a marca busca passar a seus clientes – explica Daniel Rodrigues, sócio-diretor da agência Reunion Sports, que gerencia pilotos e patrocínios em diversas categorias do automobilismo mundial.

Um piloto consegue cobrar até US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões, na cotação atual) por ano para colocar um pequeno adesivo em seu capacete, em uma parte que pode até ficar encoberta no cockpit durante as transmissões das corridas. Porém, esse patrocínio também incluirá participações do piloto em eventos com clientes, promoções envolvendo a categoria, viagens aos GPs e convites para o Paddock Club (espaço onde os VIPs circulam nas corridas com direito a gastronomia de chefs renomados), por exemplo.

Muitos patrocinadores também buscam na F1 relacionamento de alta qualidade, conseguindo circular em um ambiente repleto de donos de outros negócios. Nesse ambiente, as empresas constroem relações e rapidamente fazem vendas que já compensam o valor investido na principal categoria do automobilismo mundial. Por isso mesmo, nem sempre a visibilidade em TV é o mais importante.

Já outras marcas, querem ser mundialmente conhecidas por conta da Fórmula 1, e a história mostra que a categoria é uma plataforma para isso. Basta avaliar o caso da Red Bull, que começou com uma pequena cota na modesta Sauber, nos anos 1990, e foi crescendo até virar dona de quatro carros no grid atual.

É justamente na Red Bull que os espaços mais nobres, como patrocínio principal e “naming right”, podem custar até R$ 550 milhões – o valor do acordo com a Oracle é especulado no paddock, mas não confirmado oficialmente. Completando o topo do pódio de patrocinadores na atual F1 estão a HP com a Ferrari (na casa de R$ 500 milhões por ano) e o da Mastercard com a McLaren (por volta de R$ 450 milhões por ano).

– Para as empresas que buscam maior visibilidade global, em um esporte com alcance de mais de 1 bilhão de pessoas em audiência, a alternativa é o “naming right” ou mesmo áreas mais nobres, como o capô do motor, as laterais (sidepods) ou asa traseira – comenta Gastão Fráguas, manager de pilotos e equipes.

Mesmo estreante, a Audi já conseguiu vender seu espaço mais nobre e o nome oficial da equipe para a Revolut, em um acordo estimado em US$ 75 milhões por ano (cerca de R$ 375 milhões).

– Hoje em dia, todas as equipes da Fórmula 1 dão lucro, tanto por conta da alta popularidade da categoria, quanto devido à regra que impõe o teto de gastos. Lembro de comentar com o James Vowles, da Williams, sobre a dificuldade de competir com as equipes maiores. Ele respondeu que o problema hoje nem é o dinheiro em si, mas como montar a qualidade do time ao redor do carro, porque agora todo mundo tem as mesmas condições de vencer um GP – conta Rodrigues.

As regras de orçamento foram impostas a partir de 2021. No ano passado, o limite era de US$ 135 milhões (R$ 670 milhões), mas neste ano o valor subiu para US$ 215 milhões (R$ 1,07 bilhão) por conta do desenvolvimento dos novos carros e motores. Não estão incluídos no teto os salários dos pilotos e dos três funcionários mais caros de cada time (como um chefe de equipe ou projetista).

O impacto dos salários dos pilotos é enorme no caso das grandes equipes. Os novatos costumam ganhar por volta de R$ 3 milhões (aproximadamente 500 mil euros no ano), já triplicando o valor para a segunda temporada e chegando a R$ 9 milhões (cerca de 1,5 milhões de euros). Mas Max Verstappen por exemplo, pode superar os R$ 450 milhões anuais, segundo estimativas.

Além do pagamento das equipes, o piloto pode receber de patrocinadores pessoais – como o exemplo citado no começo desta reportagem com apoio no capacete, geralmente um dos poucos espaços em que os atletas têm liberdade de “vender” uma cota de patrocínio. A única exigência é que a marca exibida não entre em conflito com os apoiadores da equipe.

O brasileiro Gabriel Bortoleto tem em seu capacete os patrocinadores pessoais KitKat, Mercado Livre e Porto, além de ser embaixador da Motorola e Snapdragon em 2026. Algumas dessas marcas estão com o brasileiro desde a conquista dos títulos da F3 e F2, mas, no caso das categorias de base, o espaço do carro é praticamente inteiro reservado ao piloto – com raras exceções de times que contam com patrocínio próprio ou de talentos de academias de grandes equipes, como Red Bull e Ferrari.

Apoiar jovens talentos na base, por sinal, costuma ser uma estratégia eficaz para garantir a porta de entrada no mundo da F1. Afinal, se mesmo com R$ 5 milhões ainda é difícil garantir um espaço pequeno de patrocínio a um dos 22 pilotos do grid, “subir” de categoria com um jovem campeão da F2 pode ser a melhor porta de entrada para o bilionário mundo da Fórmula 1.

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