FALSA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO
Saiba quem fazia parte da quadrilha que desviou R$ 700 mil da Unimed Cuiabá
Thalyta Amaral
O desvio de R$ 700 mil da Unimed Cuiabá em 2022 teve a participação de funcionários da própria cooperativa. Eles simularam a participação da Arché Negócios Ltda. em um empréstimo de R$ 33,1 milhões, no qual a empresa privada teria direito a uma “comissão” de R$ 700 mil pela intermediação da transação financeira, o que nunca ocorreu.
Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o grupo articulou a fraude entre setembro e dezembro de 2022. O líder da quadrilha era o então presidente da Unimed Cuiabá, o médico Rubens Carlos de Oliveira Júnior, que atuou “no topo da cadeia de comando e de fluxo de informações”, sendo o idealizador do plano para enganar a diretoria e pagar R$ 700 mil à Arché.
Outra integrante da quadrilha, de acordo com a denúncia, é a ex-chefe do Jurídico, Jaqueline Proença Larréa, que trabalhou para que o aval jurídico fosse dado à contratação fictícia dos serviços da Arché, de modo a dar um “inquestionável verniz de legalidade ao esquema”.
Também participou da fraude o ex-CEO da Unimed Cuiabá, Eroaldo de Oliveira, que ajudou a convencer os diretores da cooperativa a autorizar o pagamento. Seu papel foi “conduzir as falsas explicações comerciais” sobre a operação para conduzir a diretoria ao erro.
Fecha a lista dos integrantes do grupo criminoso de dentro da cooperativa Ana Paula Parizotto, ex-superintendente administrativo-financeira. Foi ela que, ao saber da aprovação do contrato com a Arché, pessoalmente inseriu a nota fiscal de R$ 700 mil no sistema e liberou esse pagamento como prioridade, sem que fosse cumprida a fila cronológica de credores, fazendo com que o pagamento fosse realizado em “tempo recorde”, em apenas três dias.
Do outro lado, na negociação fraudulenta, estava Erikson Tesolin Viana, representante da Arché e que ficou com R$ 300 mil do dinheiro desviado por ter cedido o nome de sua empresa para a realização do desvio de dinheiro.
Foi Erikson que, inclusive, veio a Cuiabá, ele mora no Espírito Santo, para sacar em dinheiro vivo os R$ 400 mil para serem distribuídos entre os membros da quadrilha. O dinheiro foi sacado em uma agência no bairro Duque de Caxias e repassado a Eroaldo na casa deste, em um condomínio de luxo na capital.
Ainda de acordo com o MPF, dos R$ 400 mil sacados por Erikson em 28 de dezembro de 2022, R$ 200 mil foram destinados a Rubens, R$ 130 mil a Eroaldo e R$ 70 mil a Ana Paula.


