NÃO PODE VIRAR AS COSTAS
“Não podemos matar a galinha dos ovos de ouro”, diz Mendes ao apoiar fim do Fethab 2
Muvuca Popular
O ex-governador Mauro Mendes (União) classificou como “extremamente correta” a decisão do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) de não renovar o Fundo Estadual de Transporte e Habitação 2 (Fethab 2). A medida, anunciada recentemente, atende a demandas do setor produtivo em meio a um cenário de dificuldades no agronegócio.
Segundo Mendes, a decisão já vinha sendo discutida internamente no governo desde sua gestão, mas ele optou por não anunciá-la à época para que coubesse ao atual governador conduzir o processo.
“É uma medida extremamente correta. Nós conversamos isso dentro do governo lá atrás, mas fazia mais sentido que ele anunciasse, porque estará à frente da gestão ao longo do ano”, afirmou nesta quarta-feira (22).
Apesar de reconhecer que a não renovação do fundo terá impacto significativo nas contas públicas, o ex-governador defendeu que o Estado precisa apoiar o agronegócio, setor que classificou como essencial para a economia mato-grossense.
“Fazer falta, com certeza vai. Mas não podemos deixar de contribuir com aqueles que sempre contribuíram. Seria uma ingratidão virar as costas para quem ajudou o Estado durante tanto tempo”, disse.
Mendes utilizou ainda uma metáfora para reforçar a importância do setor. “O agronegócio é a galinha dos ovos de ouro. Não podemos correr o risco de prejudicar esse setor justamente em um momento de dificuldade”, completou.
De acordo com ele, o agro enfrenta um cenário adverso, com queda nos preços das commodities, redução da demanda global, dólar em patamar mais baixo e aumento dos custos de produção, influenciados por fatores como conflitos internacionais e encarecimento de insumos e logística.
O ex-governador destacou que a suspensão da cobrança pode ajudar na recuperação do setor e que a contribuição pode ser retomada futuramente, quando houver melhora no cenário econômico.
“Não existe crise que dure para sempre. Quando o cenário melhorar, essa contribuição pode voltar e o Estado retoma seu ritmo normal”, avaliou.
Mendes também estimou que a decisão deve representar uma perda de R$ 2 bilhões aos cofres públicos, o que impactará diretamente a capacidade de investimentos, especialmente em infraestrutura.
“Menos dinheiro significa menos obras. Algumas que poderiam sair no ano que vem vão ficar para depois”, afirmou.
Ainda assim, ele ponderou que a medida é necessária no momento atual e reforçou que o Estado deve buscar equilíbrio entre responsabilidade fiscal e apoio ao setor produtivo.


