ALVO DE OPERAÇÃO
Elizeu diz que dinheiro apreendido é legal, defende emendas e afirma estar “tranquilo”
Renato Ferreira
O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) falou pela primeira vez, na manhã desta quarta-feira (6), sobre a operação realizada na última semana pelo Ministério Público de Mato Grosso, que investiga supostas irregularidades envolvendo mais de R$ 7 milhões em emendas parlamentares.
A investigação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) e cita o parlamentar, o irmão dele, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União Brasil), além de outras quatro pessoas que foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Em declaração sobre o caso, Elizeu afirmou que o processo corre em segredo de Justiça e que a defesa ainda não teve acesso integral aos autos. “O que aconteceu foi como foi noticiado. Nosso advogado ainda não teve acesso ao processo, ele corre em segredo de Justiça, mas respeitamos o trabalho da Justiça e estamos à disposição. Faz parte”, declarou o deputado.
Sobre os cerca de R$ 180 mil encontrados durante a operação, o parlamentar afirmou que os valores possuem origem legal e estariam devidamente declarados no Imposto de Renda.
“Esse valor que foi recolhido pela investigação também está no Imposto de Renda. Além disso, foram recolhidos extratos, comprovantes de saque, salário e verba indenizatória, e tudo isso também foi anexado”, disse.
O deputado também comentou sobre a destinação das emendas parlamentares investigadas. Segundo ele, os recursos foram aplicados em projetos esportivos e na entrega de kits para estudantes de escolas militares.
Os desvios, conforme investigação do Naco, ocorriam de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (IBRACE).
“São R$ 7,7 milhões em investimentos, nos quais conseguimos fazer a entrega de mais de 22 mil kits esportivos, contemplando mais de 22 mil alunos, somando ainda mais de 100 mil itens entregues. Isso impacta diretamente a vida dos cidadãos e das famílias das 25 escolas militares. Eu fiz pessoalmente essas entregas”, afirmou.
Elizeu reforçou ainda que está tranquilo em relação às investigações. “A gente está tranquilo. São atuações legítimas e positivas”, completou.
Conforme a decisão judicial que autorizou a operação, a investigação aponta que parte dos valores oriundos de emendas parlamentares teria sido sacada em dinheiro poucos dias após a liberação dos recursos. Relatórios anexados ao processo citam pagamentos superiores a R$ 2,4 milhões e R$ 400 mil realizados em dezembro de 2025, seguidos de retiradas em espécie no mesmo período.


