INTERROGATÓRIO
“Eu não ia permanecer ali esperando uma reação”, diz investigador julgado por matar PM
Muvuca Popular
“Eu já estava naquela situação traumática. Não iria permanecer ali esperando uma reação, seja de um policial militar ou até de algum amigo do Thiago. Então, preferi preservar minha vida e me apresentar posteriormente na delegacia.”
A declaração foi dada pelo investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves durante interrogatório realizado na tarde desta quinta-feira (14), no terceiro dia do Tribunal do Júri em que é denunciado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz. O depoimento do réu já ultrapassa cerca de 50 minutos no plenário do Fórum de Cuiabá.
Ao ser questionado sobre o motivo de ter deixado a conveniência logo após os disparos, Mário Wilson afirmou que o ambiente ainda era de tensão, havia outras pessoas armadas no local e ele não sabia onde estava uma segunda arma mencionada durante a confusão.
“A arma havia travado aberta, como já foi falado diversas vezes, e existia uma segunda arma que eu não sabia com quem estava. Naquela situação, eu pensei: e se alguém pegasse essa arma e atirasse em mim?”, declarou.
Segundo o investigador, o temor aumentou porque outras pessoas presentes no estabelecimento também teriam se identificado como policiais. Ele disse ainda que estava emocionalmente abalado após a luta corporal travada com o militar.
O julgamento é conduzido pelo juiz Marcos Faleiros da Silva. A acusação é feita pelo promotor Vinícius Gahyva Martins. Já a defesa do investigador é patrocinada pelos advogados Cláudio Dalledone e Renan Canto.
Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 28 de abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, na Capital. Imagens de câmeras de segurança registraram os dois conversando antes da confusão. A investigação aponta que, em determinado momento, o policial militar mostrou a arma que carregava na cintura e, na sequência, houve luta corporal e o investigador tomou posse do revólver e efetuou dez disparos que atingiram a vítima.
A estimativa é de que a sessão do júri seja encerrada ainda nesta quinta-feira.


