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MERECE INVESTIGAÇÃO

Diarreia recorrente e sangue nas fezes podem indicar doenças inflamatórias intestinais

Muvuca Popular

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Pacientes que convivem durante meses — e até anos — com diarreia recorrente, dores abdominais e até sangue nas fezes podem estar com doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Estar atento aos sinais e investigar eventuais mudanças no organismo pode ajudar no diagnóstico precoce, conforme explicam especialistas do Hospital Santa Rosa. O tema é abordado pela campanha Maio Roxo, que destaca a importância do diagnóstico precoce dessas doenças, cuja prevalência no Brasil já é estimada em cerca de 100 casos a cada 100 mil habitantes, segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

No pronto atendimento, um dos principais desafios é justamente diferenciar quadros inflamatórios de infecções intestinais ou da síndrome do intestino irritável, já que muitos sintomas são parecidos.

“O paciente chega com diarreia recorrente, dor abdominal e, muitas vezes, sangue nas fezes. Alguns relatam episódios frequentes ao longo do ano, que melhoram temporariamente com medicações sintomáticas, mas voltam depois”, explica o médico do Pronto Atendimento do Hospital Santa Rosa, dr. Pedro Luiz.

Segundo ele, a recorrência dos sintomas é um dos principais sinais de alerta. “A própria repetição dos quadros já não deve ser considerada normal. Muitas vezes não se trata apenas de uma infecção intestinal comum e isso precisa ser investigado”, afirma.

O médico destaca ainda que a automedicação pode agravar o quadro e atrasar o diagnóstico correto. “Muitos pacientes acabam usando anti-inflamatórios para aliviar a dor sem saber que esses medicamentos podem ser contraindicados em doenças inflamatórias intestinais e gerar complicações importantes”, alerta.

A coloproctologista do Hospital Santa Rosa, dra. Fernanda Barros, explica que, apesar dos sintomas semelhantes, a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa possuem características distintas.

“Na retocolite ulcerativa, a inflamação afeta o cólon e o reto de forma contínua, causando úlceras e sangramentos frequentes. Já a Doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, de maneira descontínua e profunda”, esclarece.

De acordo com a especialista do Hospital Santa Rosa, o atraso no diagnóstico pode provocar danos graves e irreversíveis à saúde do paciente.

“No Crohn, por exemplo, é comum o surgimento de fístulas, obstruções e desnutrição severa. Já na retocolite, o risco de desenvolvimento de câncer colorretal aumenta significativamente com o tempo”, alerta

A médica ressalta que os avanços terapêuticos têm reduzido drasticamente a necessidade de intervenções agressivas. “Hoje, os medicamentos imunobiológicos controlam melhor a doença. E quando a cirurgia é indicada, as técnicas atuais priorizam a preservação da qualidade de vida”, destaca.

Nos casos cirúrgicos, a tecnologia robótica tornou-se uma grande aliada, oferecendo recuperação mais rápida e menor trauma operatório.

“A robótica proporciona visão ampliada em 3D e movimentos de alta precisão, permitindo um procedimento mais delicado e seguro. Isso reduz a dor pós-operatória e acelera o retorno às atividades”, explica.

Entre os principais sinais de alerta estão diarreia persistente, sangue nas fezes, dor abdominal frequente, perda de peso inexplicável e fadiga constante.

“O intestino dá sinais claros quando algo está errado. O mais importante é não negligenciar sintomas recorrentes e buscar avaliação especializada precocemente”, finaliza a dra. Fernanda Barros.

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