VELÓRIO TEVE ESCOLTA
Filha de Nery conta que ‘policial’ exigiu celular do pai enquanto ele ainda estava vivo
Patrícia Neves
A filha do advogado Renato Nery, Lívia Moreira Gomes Nery, afirmou durante o júri popular realizado nesta quarta-feira (15) que um suposto policial exigiu a entrega do celular do pai enquanto ele ainda lutava pela vida no hospital, após ser baleado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, em 2024.
Primeira informante ouvida pelo juiz Marcos Faleiros, Lívia contou que acompanhou Renato na ambulância e que, ao chegar à unidade de saúde, recebeu a informação de que ele precisaria passar por uma cirurgia para descompressão cerebral, na tentativa de preservar sua vida.
Segundo a testemunha, foi ao sair para o corredor do hospital que ela foi abordada por um policial.
“Na hora que eu saí no corredor, um policial me chamou e falou: ‘Você precisa me entregar o celular ou você vai ser presa’. Eu disse que ele não tinha mandado e que podia me prender. O dono do celular estava vivo”, relatou em plenário.
Ao relembrar os instantes seguintes ao atentado, Lívia contou que trabalhava no mesmo prédio do pai e chegou ao local cerca de cinco minutos após os disparos.
Ela descreveu a cena encontrada como desesperadora. “A quantidade de sangue era imensa. Meu pai estava gorgando sangue, urrando como um animal de tanta dor”, afirmou.
A filha do advogado disse ainda que acompanhou todo o atendimento de emergência e ouviu médicos afirmarem que Renato não apresentava sinais vitais. Apesar do quadro, a equipe médica decidiu realizar os procedimentos necessários para tentar salvá-lo.
Em outro trecho do depoimento, Lívia afirmou que voltou ao local do crime dias depois e ainda encontrou vestígios da execução.
“Quando eu tive que voltar lá, havia uns pedacinhos de gordura no chão. Eu via aqueles pedacinhos e passei a mão no chão”, disse, ao relatar que ainda havia fragmentos do que descreveu como massa encefálica espalhados na calçada.
O julgamento desta quarta-feira tem como réu o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, denunciado pelo Ministério Público como autor dos disparos que mataram Renato Nery. Conforme a acusação, o crime foi encomendado por R$ 200 mil em razão de uma disputa judicial por terras. Além de Alex, outras cinco pessoas, entre elas um casal apontado como mandante e três policiais militares, também respondem pelo homicídio e deverão ser submetidas a júri popular.


