SAÚDE PÚBLICA
Mato Grosso tem 86 mil crianças com excesso de peso, aponta levantamento
Nickolly Vilela
Mato Grosso registrou 86.102 crianças de até 9 anos com excesso de peso em 2025, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde. O número representa cerca de 30% das crianças avaliadas no estado, o equivalente a três em cada dez, e reforça o alerta de especialistas sobre o avanço da obesidade infantil.
Os dados ganham ainda mais relevância às vésperas do Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado nesta quarta-feira (3). O cenário mato-grossense acompanha uma tendência nacional preocupante. Segundo o Atlas Global da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode se tornar, até 2030, o quinto país do mundo com mais crianças e adolescentes obesos.
De acordo com o levantamento do Sisvan, o percentual de excesso de peso em Mato Grosso inclui casos de sobrepeso, obesidade e obesidade grave. Em nível nacional, mais de 1,1 milhão de crianças já apresentam obesidade, enquanto outras 783 mil convivem com obesidade grave.
Para a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Mariana Grigoletto, os números mostram que a obesidade infantil deixou de ser um problema pontual para se tornar uma questão de saúde pública.
“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além das consequências na infância, o excesso de peso aumenta significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta”, afirma.
Segundo a especialista, crianças com obesidade têm maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e complicações emocionais, como baixa autoestima e exposição ao bullying.
Apesar do alerta, o levantamento mostra que 62,8% das crianças brasileiras avaliadas apresentam peso adequado, o que demonstra que a prevenção ainda pode reverter a tendência de crescimento da doença.
A médica destaca que o acompanhamento pediátrico regular é fundamental para identificar precocemente alterações no peso e nos hábitos alimentares.
“Quando identificamos alterações logo no início, conseguimos intervir antes que a situação se agrave. Com orientação adequada, é possível evitar a obesidade na vida adulta e reduzir o risco de doenças associadas”, explica.
Entre as principais recomendações estão a adoção de uma alimentação equilibrada, com maior consumo de frutas, legumes e verduras, redução de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, além da prática regular de atividades físicas e da limitação do tempo de exposição a telas.
Outro fator que preocupa especialistas é o crescimento do consumo de produtos industrializados entre crianças. Dados do Sisvan indicam que o consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas aumenta conforme a idade avança, contribuindo diretamente para o ganho de peso.
“Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está ligada aos hábitos da família e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia podem gerar impactos duradouros na saúde física e emocional”, conclui Mariana Grigoletto.


