SEM CHANCE
Ilde descarta arquivar CPI e diz que Câmara pode investigar contratos da Educação sem nova comissão
Renato Ferreira
O vereador Ilde Taques (PSB) descartou a possibilidade de retirar a CPI dos TACs e Potencial Construtivo para abrir espaço à instalação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas irregularidades na Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá. Segundo ele, a comissão continua em andamento e não pode ser interrompida apenas para atender a outra demanda. Os requerimentos foram apresentados pelo vereador Demilson Nogueira (PP), que é vice-líder do prefeito Abilio Brunini (PL), e pela vereadora Maysa Leão (Republicanos).
“Eu não posso arquivar uma CPI importante para Cuiabá por causa de outra que está na fila. É através de uma CPI que você recupera dinheiro público e identifica possíveis irregularidades cometidas por agentes públicos”, afirmou na manhã desta terça-feira (2).
A declaração ocorre em meio à discussão sobre a abertura de uma nova CPI da Educação após denúncias do prefeito Abilio Brunini (PL) de um suposto rombo que pode chegar a R$ 80 milhões na pasta. Dois pedidos de investigação foram protocolados na Câmara no último dia 28 de maio.
Atualmente, porém, o Legislativo já possui o número máximo de CPIs em funcionamento: CPI da Educação, CPI dos Empenhos, CPI do Cuiabanco, CPI dos TACs e Potencial Construtivo e CPI da CS Mobi 2.0. Há ainda uma Comissão Especial que investiga o secretário municipal de Trabalho, William Leite, mas ela não interfere no limite de CPIs previsto pela Casa.
Ilde ressaltou ainda que, antes mesmo da eventual abertura de uma nova comissão sobre a Educação, existe uma CPI do Assédio que já reuniu assinaturas suficientes e aguarda espaço para ser instalada.
Apesar da limitação, o parlamentar defendeu que os vereadores podem exercer plenamente o papel fiscalizador sem depender exclusivamente de uma CPI. Segundo ele, a Câmara já iniciou movimentações para acompanhar as denúncias envolvendo contratos da Educação.
“Independentemente de CPI, o vereador tem que fazer o seu papel. Eu convoquei o ex-secretário Amauri Monge para prestar esclarecimentos, solicitei os contratos relacionados à compra de livros e pedi acesso às denúncias encaminhadas aos órgãos de controle”, afirmou.
O tema voltou ao centro do debate político após Abilio Brunini afirmar que a Prefeitura, com apoio da Controladoria-Geral do Município, está apurando possíveis irregularidades em contratos firmados durante a gestão do ex-secretário Amauri Monge, que deixou o comando da pasta em março deste ano. Atualmente, a Secretaria de Educação é administrada interinamente por Reginaldo Teixeira.
Ao comentar a vistoria realizada pelo prefeito e pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, em galpões e unidades escolares da rede municipal, Ilde elogiou a iniciativa.
“Eu achei excelente. Inclusive, o prefeito Abilio Brunini dá aula para nós vereadores de como fiscalizar o poder público”, declarou.


