MAIS 140 DIAS
CNJ prorroga processo que apura atuação de juiz nas investigações da morte de Zampieri
Patrícia Neves
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, prorrogar por mais 140 dias o prazo para conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura supostas irregularidades cometidas pelo juiz Wladymir Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), durante a condução das investigações sobre o assassinato do advogado Roberto Zampieri.
A decisão foi referendada pelo plenário do CNJ durante sessão virtual encerrada em 30 de junho de 2026. O novo prazo passa a ser contado a partir de 7 de maio deste ano. O julgamento foi presidido pelo ministro Edson Fachin e acompanhou integralmente o voto do relator, conselheiro Ilan Presser.
O PAD foi instaurado pelo CNJ em dezembro de 2025 para apurar indícios de infrações disciplinares relacionadas à atuação do magistrado quando era titular da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, responsável pela ação penal que investiga a execução de Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, ao deixar seu escritório na Capital.
Entre os fatos investigados estão a suposta apreensão e retenção indevida do celular da vítima, sem permitir acesso integral às partes envolvidas no processo, além da alegação de violação de lacres de envelopes contendo provas sem a presença da defesa. O procedimento também analisa possíveis irregularidades no acautelamento de provas, eventual desvio de função e suposta violação da Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante às defesas acesso aos elementos de investigação já documentados.
Esta é a segunda vez que o CNJ amplia o prazo para a conclusão do processo disciplinar. A primeira prorrogação havia sido autorizada em junho de 2025. Agora, segundo o relator, ainda existem diligências pendentes que precisam ser concluídas antes que o Conselho delibere sobre eventual aplicação de sanções ao magistrado.
Com a nova decisão, a investigação administrativa seguirá em andamento pelos próximos meses, período em que serão analisadas as provas e manifestações das partes envolvidas. Somente após a conclusão da instrução o CNJ decidirá se houve infração disciplinar e se haverá penalidades ao juiz investigado.


