Há momentos em que Deus não responde com palavras. Responde com pessoas. Quando a alma já se habituava ao frio da indiferença, Ele aproxima alguém que aquece o coração. Quando começávamos a acreditar que tínhamos de mendigar atenção, afeto ou respeito, Deus abre uma janela e deixa entrar alguém que nos trata com a dignidade de filhos.
As pessoas boas não aparecem por acaso. São cartas escritas por Deus, lembrando-nos quem somos aos Seus olhos. São faróis que rasgam o nevoeiro das desilusões. São espelhos onde voltamos a ver refletido o valor que talvez tivéssemos esquecido.
Há quem entre na nossa vida para nos usar. Mas há quem entre para nos reconstruir.
E é então que compreendemos uma verdade libertadora: quem conhece o amor de Deus deixa de mendigar migalhas de carinho. Quem descobre o seu verdadeiro valor já não aceita viver à porta do coração de quem nunca quis abrir a porta.
Deus coloca na nossa vida pessoas que nos olham com respeito, que nos escutam com atenção, que nos acolhem com sinceridade. Não porque sejamos perfeitos, mas porque Ele quer recordar-nos que somos infinitamente preciosos. Através delas, Deus parece sussurrar: «Foi para isto que te criei. Não para seres tolerado, mas para seres amado. Não para viveres daquilo que sobra, mas para receberes aquilo que dignifica a tua alma.»
Talvez uma das maiores graças que Deus nos conceda seja precisamente esta: cruzar o nosso caminho com pessoas que nos fazem deixar de correr atrás de quem nos despreza. Pessoas que, sem grandes discursos, curam feridas antigas apenas pela forma como nos tratam.
Hoje agradeço ao Senhor por essas presenças. Porque cada uma delas foi uma resposta silenciosa às minhas dúvidas, uma prova de que Deus nunca deixa os seus filhos entregues à pobreza do afeto humano.
Quando Deus nos ama — e ama-nos sempre — também nos educa a reconhecer o nosso valor. E quem descobre esse valor já não vive de esmolas emocionais. Caminha de cabeça erguida, sabendo que foi criado para um amor que respeita, edifica e conduz ao Céu.
*Pe. Gaspar.


