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INFRAESTRUTURA

Cidinho projeta nova fase logística com BR-163 duplicada e alcooduto

Muvuca Popular

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A duplicação da BR-163, a implantação de internet 4G ao longo da rodovia e a construção de um alcooduto ligando Mato Grosso ao Sudeste foram apontadas pelo ex-senador Cidinho Santos como os principais projetos capazes de elevar a competitividade do agronegócio mato-grossense nos próximos anos. As declarações foram feitas na tarde desta quinta-feira (23.07), durante o painel “Infraestrutura e Competitividade”, realizado no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em Sorriso.

Presidente afastado do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste, Cidinho fez um balanço da recuperação da concessão da BR-163 após a entrada do Governo de Mato Grosso na gestão da empresa. Segundo ele, a mudança permitiu reestruturar financeiramente a concessionária, destravar investimentos e acelerar um conjunto de obras que havia permanecido praticamente paralisado desde 2016.

O ex-senador lembrou que a concessão, assinada em 2014, enfrentou dificuldades após a Operação Lava Jato, quando a Odebrecht perdeu acesso ao financiamento previsto pelo BNDES. Com isso, as duplicações deixaram de avançar, enquanto a concessionária acumulava uma dívida superior a R$ 1 bilhão e juros elevados, comprometendo a manutenção da rodovia.

Cidinho afirmou que, após a assunção do controle pela MT Par, foi possível renegociar os débitos com os bancos, reduzir significativamente o endividamento e obter um novo financiamento de R$ 5,3 bilhões junto ao BNDES para viabilizar as obras.

“Hoje não temos problema financeiro para executar os investimentos. Nosso maior desafio passou a ser vencer as etapas de licenciamento e as burocracias que envolvem uma obra dessa dimensão”, afirmou.

Segundo ele, até o fim deste ano serão entregues 444 quilômetros de duplicação. A previsão é concluir os trechos entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, Lucas do Rio Verde e Sorriso, além da duplicação entre Sorriso e Sinop. Com isso, será possível trafegar em pista dupla entre Sinop e Rosário Oeste, enquanto os serviços de restauração da pista antiga continuarão sendo executados após o período chuvoso.

O ex-senador também ressaltou os impactos diretos das obras sobre a segurança viária. De acordo com ele, os trechos já duplicados registraram redução de aproximadamente 83% nas mortes provocadas por acidentes, resultado que reforça a importância da continuidade dos investimentos na rodovia que corta 19 municípios e influencia diretamente cerca de 90% da população mato-grossense.

Outro ponto destacado durante o painel foi a implantação de fibra óptica e cobertura de internet móvel ao longo de toda a concessão. Conforme o ex-senador, até o final de 2026 toda a extensão administrada pela Nova Rota do Oeste contará com sinal 4G, permitindo que motoristas e transportadores permaneçam conectados durante todo o percurso entre a divisa com Mato Grosso do Sul e Sinop.

Outro assunto abordado foi a implantação de um alcooduto ligando Sinop a Paulínia (SP), utilizando parte da faixa de domínio da BR-163 e de outros corredores logísticos. Segundo ele, o projeto acompanha a rápida expansão da produção de etanol de milho em Mato Grosso e permitirá reduzir custos para o escoamento da produção até o principal mercado consumidor do país.

“O alcooduto será fundamental para essa mudança da matriz produtiva de Mato Grosso. A produção de etanol de milho cresce rapidamente, e precisamos criar as condições para que esse produto chegue ao Sudeste de forma competitiva. Os investidores já estão dispostos a executar o projeto, e a inclusão no PAC poderá dar mais agilidade aos processos necessários para que a obra avance”, explicou.

Logística afeta a produção agrícola

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, mostrou que o Estado praticamente quadruplicou a produção de grãos desde 2010 e deverá acrescentar outras 36 milhões de toneladas até 2034, projeção que exigirá corredores logísticos cada vez mais eficientes para manter a competitividade do agronegócio. Hoje, Mato Grosso responde por 29% da soja produzida no país, 48% do milho safrinha nacional e, se fosse um país, seria o terceiro maior produtor mundial de soja.

“O produtor mato-grossense fez a sua parte, aumentou a produtividade e expandiu a produção, mas a logística precisa acompanhar esse crescimento. Mais de 70% da nossa safra ainda depende das rodovias, enquanto o custo do frete continua sendo um dos maiores entraves à competitividade. A Ferrogrão, a conclusão das duplicações da BR-163, a ampliação das hidrovias e outros investimentos são fundamentais para reduzir custos e permitir que Mato Grosso continue crescendo”, afirmou.

Beber destacou ainda que a conclusão da BR-163 representou um divisor de águas para o Estado. Segundo ele, após a pavimentação da rodovia, houve forte expansão da área cultivada com soja e milho, além de crescimento expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) de municípios como Sorriso e Lucas do Rio Verde, evidenciando a relação direta entre infraestrutura e desenvolvimento econômico.

O painel foi mediado pelo economista e ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antonio Pagot. Também participaram o presidente e CEO da Estação da Luz Participações, Guilherme Quintella, que abordou o projeto da Ferrogrão; o CEO da Hidrovias do Brasil, Décio Amaral, que tratou da ampliação do transporte hidroviário.

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