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DEFENDERAM JUSTIÇA MAIS HUMANA

Novos desembargadores transformam posse em homenagem à trajetória, à família e à Justiça

Patrícia Neves

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A posse dos novos desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada na tarde desta sexta-feira (24), foi marcada por discursos que extrapolaram a celebração da ascensão ao segundo grau da magistratura. Escolhidos pelo Tribunal Pleno na quinta-feira (23), Agamenon Alcântara Moreno Júnior e Antônio Horácio da Silva Neto dividiram lembranças da trajetória profissional, homenagens à família e reflexões sobre o papel do Judiciário, em falas permeadas pela emoção, gratidão e defesa de uma Justiça independente e humana.

Promovido pelo critério de merecimento para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria da desembargadora Maria Erotides Kneip, Agamenon definiu a posse como um momento de profundo significado pessoal. Nascido em Cuiabá, afirmou que assumir uma cadeira na Corte representa “a força simbólica de tomar posse nesta Casa, que é, ao mesmo tempo, minha terra e meu ofício”. Ao recordar quase três décadas na magistratura, iniciadas em Rondônia e consolidadas em diversas comarcas de Mato Grosso, afirmou que foi no primeiro grau que compreendeu o verdadeiro sentido da jurisdição.

“Em cada uma dessas cidades aprendi que a Justiça precisa ser percebida na vida concreta das pessoas. Na família que aguarda uma decisão, no cidadão que busca tratamento de saúde e na mulher que necessita de proteção.”

Na mesma solenidade, Antônio Horácio transformou o discurso em um relato sobre resistência. Ao agradecer a Deus logo nas primeiras palavras, relembrou as próprias origens, a influência dos avós, a recente morte do pai e os desafios que marcaram sua trajetória profissional. Disse que chegar ao Tribunal pelo critério da antiguidade representa o reconhecimento de uma vida inteira dedicada ao Judiciário.

“Chego aqui pelo critério objetivo da antiguidade, que longe de premiar somente o tempo, laureia também a qualidade do julgador.”

Ao longo da fala, o novo desembargador fez questão de afirmar que nunca enxergou as dificuldades como motivo para desistir. Pelo contrário. Segundo ele, foram justamente os momentos mais difíceis que fortaleceram sua caminhada.

“Desistir nunca é opção, menos ainda um verbo a ser conjugado durante todo o caminho que percorri até aqui. Muitos duvidaram do êxito desta jornada, mas somente os poucos amigos sinceros e leais que estiveram ao meu lado sabem o que representa chegar a este dia.”

Antônio Horácio também ressaltou que jamais permitiu que os obstáculos definissem sua história.

“Sempre me recusei a me vitimizar. Não lamento os momentos dolorosos, porque todos contribuíram para formar quem eu sou. Agradeço àqueles que me impuseram as maiores provações, porque me fizeram lutar, encontrar saídas e evoluir.”

Apesar de terem chegado ao Tribunal por critérios distintos, os dois magistrados convergiram ao defender que a experiência acumulada ao longo da carreira deve servir à sociedade. Antônio Horácio afirmou que antiguidade e merecimento caminham lado a lado na construção de uma magistratura forte.

“Antiguidade e merecimento não são excludentes. Pelo contrário, são complementares para unir experiências e conhecimentos em prol do que mais importa: a realização da Justiça.”

Agamenon, por sua vez, disse que a promoção não o afasta da identidade construída ao longo de quase 30 anos no primeiro grau.

“A toga de desembargador não apaga a história do juiz de primeiro grau. Ao contrário, aumenta o meu dever de honrá-la.”

Os dois também defenderam um Judiciário preparado para os novos tempos, mas sem perder de vista o aspecto humano da atividade jurisdicional. Agamenon alertou que o avanço tecnológico deve caminhar ao lado da sensibilidade.

“A tecnologia deve estar a serviço da Justiça, e não o inverso. O futuro será tecnológico, sim, mas deverá permanecer profundamente humano.”

Agamenon Alcântara Moreno Júnior e Antônio Horácio da Silva Neto assumem as vagas deixadas pelas aposentadorias dos desembargadores Maria Erotides Kneip e Dirceu dos Santos. Com a posse, ambos passam a integrar oficialmente o Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, levando à segunda instância trajetórias distintas, mas unidas pelo mesmo compromisso de servir à Justiça com independência, equilíbrio e respeito à dignidade humana.

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