VÉSPERAS DO JULGAMENTO
Defesa de Carlinhos acusa Gahyva de “falar muito” e conhecer pouco o processo; promotor rebate
Nickolly Vilela
O advogado Elson Marcelino da Silva Junior acusou, nesta quinta-feira (30), o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins de “falar muito” e conhecer pouco as provas do processo contra Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra. Em resposta, Gahyva rebateu o defensor e afirmou que ele deveria comparecer ao Tribunal do Júri para defender o cliente, em vez de “vociferar na imprensa”.
A crítica foi feita durante entrevista concedida antes da nova sessão do Tribunal do Júri. Segundo Elson, o representante do Ministério Público teria habilidade para construir discursos, mas não demonstraria o mesmo domínio técnico sobre o conteúdo dos autos.
“O doutor Vinícius não conhece a prova digital, ele não conhece o material que está no processo. É um promotor de muita retórica, mas de pouco aprofundamento técnico nos autos”, declarou.
O advogado afirmou que Gahyva e os demais integrantes da acusação teriam sido surpreendidos durante o primeiro julgamento quando a defesa apresentou questionamentos sobre mensagens extraídas de aparelhos celulares e possíveis divergências nos horários registrados.
“Quando a gente trouxe isso a plenário, foram pegos de surpresa porque não observaram os detalhes”, disse.
Para Elson, o episódio demonstraria que a acusação não analisou profundamente as provas digitais antes de apresentá-las aos jurados. Ele também contestou as explicações de que as diferenças nos horários poderiam ter sido provocadas pelo fuso horário ou por falhas no sistema dos aparelhos.
Durante a entrevista, o advogado reforçou o ataque e afirmou que o promotor se destacaria mais pela forma de falar do que pelo conhecimento do processo.
“Ele fala muito, fala bem, fala bonito. Mas estudar o processo e conhecer o que tem, ele não conhece. Isso eu afirmo com total certeza”, disparou.
Elson também acusou Gahyva de mencionar informações que, segundo a defesa, não estariam formalmente juntadas aos autos. Entre elas estaria a suposta existência de um vídeo que mostraria Carlinhos efetuando os disparos contra as vítimas.
“Esse vídeo também não está acostado aos autos, se é que existe, assim como diversas outras falas do membro do Ministério Público. São falas fantasiosas, fictícias, que, de tanto serem repetidas, podem acabar sendo tratadas como verdade”, afirmou.
O advogado ainda provocou o promotor ao questionar uma suposta resistência em discutir provas técnicas relacionadas à saúde mental de Carlinhos.
“Qual é o medo que o doutor Vinícius tem de enfrentar uma prova técnica? Porque ele não é da parte técnica, ele é da retórica”, declarou.
Procurado pelo Muvuca, Vinícius Gahyva rebateu as declarações e criticou a atuação do advogado. O promotor afirmou que Elson deveria concentrar a defesa no plenário do Tribunal do Júri, em vez de fazer ataques por meio da imprensa.
“Seria muito bom que o indigitado causídico, ao invés de vociferar na imprensa, se apresentasse e realizasse a defesa de seu cliente no Tribunal do Júri. E que não abandone a sessão de julgamento, de onde já se pôs em desabalada carreira”, respondeu.
Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato de Thays Machado e Willian Cesar Moreno, ocorridos em 2023. Ele deve ser julgado nesta sexta-feira (31) pelo Tribunal do Júri.



