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DEPOIMENTO À JUÍZA

Filho de ex-governador diz que “perdeu o controle” e chora ao relatar assassinatos de Thays e William

Patrícia Neves e Nickolly Vilella

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Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, chorou ao prestar depoimento nesta sexta-feira (31), durante o julgamento pelas mortes de Thays Machado e William César Moreno, no Fórum de Cuiabá. Diante da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, o réu afirmou que “perdeu o controle” momentos antes dos disparos e declarou que, por poucos segundos, a tragédia poderia não ter ocorrido. Durante a sessão, o reú (que não usa uniforme prisional e está de camisa amarela) usa uma máscara de cor preta.

“Ficou tudo escuro. Por dois segundos não aconteceu essa tragédia”, disse Carlinhos, emocionado, ao narrar o momento em que encontrou Thays acompanhada de William na frente do prédio onde ela morava, no bairro Consil, em Cuiabá.

Thays e William foram mortos a tiros no dia 18 de janeiro de 2023. Carlinhos responde por feminicídio qualificado e homicídio qualificado. Durante o interrogatório, ele apresentou a própria versão sobre o relacionamento com Thays e sobre os acontecimentos que antecederam o crime.

Carlinhos afirmou que manteve um relacionamento de três anos e sete meses com Thays. Segundo ele, o namoro era marcado por términos e reconciliações, mas também por planos de casamento e de formação de uma família.

“Era bom, às vezes um pouco conturbado. Terminava e voltava, mas era muito bom. Eu amava muito ela”, declarou.

O réu contou que os dois planejavam se casar e que Thays pretendia se mudar para a casa dele. Segundo Carlinhos, ela também teria pedido que ele desse o sobrenome à filha e participasse da criação das crianças.

“Ela dizia que não queria mais ficar só no namoro, que queria constituir outra família. Eu já tinha comprado aquela ideia de casar, ter a Vitória como filha, cuidar das duas filhas e dos cachorros”, relatou.

Ao relembrar o período próximo ao Natal de 2022, Carlinhos afirmou que ficou incomodado após Thays conversar com um homem durante um almoço. Conforme o relato, o episódio provocou uma discussão e fez com que ele anunciasse o fim do relacionamento.

“Eu falei: ‘Olha, Thays, estou terminando o relacionamento’. Ela ficou me pedindo desculpas e pediu para eu não fazer aquilo. Nós estávamos com casamento marcado e ela iria mudar para a minha casa”, contou.

Carlinhos disse que passou o Natal sozinho e bloqueou Thays no telefone, prática que, segundo ele, era comum entre o casal durante as brigas. No dia seguinte, os dois teriam retomado o relacionamento após uma conversa.

“Eu amo essa mulher, mas não dá. Falei que estava terminado e bloqueei. Tínhamos esse costume de bloquear e desbloquear. No dia 25, ela me ligou e a gente acabou voltando. Ela falou que nós estávamos de cabeça quente”, afirmou.

Ao falar sobre os dias que antecederam os assassinatos, Carlinhos declarou que seguiu Thays até a região da rodoviária porque queria confirmar se o relacionamento realmente havia terminado. Ele disse que não sabia que ela havia registrado um boletim de ocorrência e afirmou que, depois disso, passou a acreditar que ela estava com outro homem.

Segundo o réu, ele retornou para casa, não conseguiu dormir e, posteriormente, passou nas proximidades da residência da mãe de Thays. Carlinhos afirmou que viu a ex-companheira no local e imaginou que ela estivesse apresentando William à família.

“Pensei comigo: realmente está tudo terminado. Está lá em cima com outro cara, tomando café. Não tem mais nada a ser feito. Acabou”, disse.

Carlinhos declarou que pretendia seguir para o Pantanal Shopping, onde encontraria um amigo, mas passou novamente em frente ao prédio de Thays. Ao vê-la na calçada, afirmou que engatou a marcha à ré, parou o veículo a cerca de três metros e questionou por que ela não atendia às ligações.

De acordo com a versão apresentada pelo acusado, William teria caminhado em direção ao carro e o chamado de “corno” e “babaca”. Carlinhos afirmou que, naquele momento, perdeu o controle.

“Era um cara forte, veio na minha direção e falou: ‘Corno, babaca, vaza’. Nisso, eu perdi o controle. Ficou tudo escuro”, relatou.

 O julgamento ocorre no Tribunal do Júri de Cuiabá, sob a presidência da juíza Mônica Perri.

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