A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande recomendou que a prefeitura instaure um procedimento administrativo para apurar a conduta do diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Rogério de França Martins. O gestor aparece recebendo maços de dinheiro em um vídeo divulgado pela imprensa.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) também orientou o município a avaliar a necessidade de afastar Rogério do cargo enquanto os fatos são investigados.
A recomendação veio após Dakar ser exonerado de um cargo no Executivo municipal para reassumir o mandato na Câmara de Várzea Grande como líder da prefeita Flávia Moretti (PL). O retorno do parlamentar ao Legislativo foi anunciado na terça-feira (18).
O inquérito civil busca descobrir a origem e a destinação do dinheiro entregue ao presidente do DAE. A investigação apura se os valores têm relação com o exercício do cargo, com recursos públicos ou com interesses de terceiros ligados à autarquia.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, os fatos podem configurar infrações administrativas, atos de improbidade e crimes contra a administração pública.
Nas imagens analisadas pela Promotoria, Rogério aparece sentado diante de uma mesa e recebe um maço de dinheiro, que depois seria colocado no bolso da calça. Em outro momento, uma sacola com valores em espécie é entregue ao gestor.
O Ministério Público também incluiu na apuração um áudio atribuído a Rogério. Na gravação, ele teria solicitado apoio de membros e servidores da Câmara para justificar o episódio registrado no vídeo.
A Promotoria ainda citou outra investigação sobre possíveis irregularidades no DAE. O procedimento apura o pagamento de gratificações por produtividade a servidores e um possível desvio de recursos públicos.
Segundo a promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello, a recomendação busca garantir a apuração adequada dos fatos e o cumprimento dos princípios da administração pública.
“A Administração Pública tem o dever de investigar toda situação que possa comprometer a legalidade, a moralidade e a confiança da população nas instituições. Nossa recomendação visa justamente garantir que os fatos sejam esclarecidos e que as providências cabíveis sejam adotadas”, afirmou.
A Prefeitura de Várzea Grande terá dez dias para informar ao Ministério Público quais medidas foram adotadas e encaminhar documentos que comprovem o cumprimento da recomendação.
As informações reunidas no inquérito também foram compartilhadas com a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), que poderá adotar outras providências no âmbito criminal.



