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ALVO DA REPLAY

Advogada presa na Operação Replay consegue prisão domiciliar com tornozeleira

Muvuca Popular

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A advogada Dayane Karol Moreira teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Ela havia sido presa em julho deste ano durante a Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil contra integrantes e pessoas ligadas ao núcleo financeiro de uma facção criminosa. A decisão determina o uso de tornozeleira eletrônica.

Dayane nega qualquer envolvimento com o Comando Vermelho e sustenta que sua atuação ocorreu exclusivamente no exercício profissional da advocacia.

Durante a investigação, porém, a Polícia Civil apontou a advogada como responsável pela administração de patrimônio que estaria ligado a Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “WT”, identificado como tesoureiro da facção.

Segundo as investigações, Anderson Alves de Souza, outro alvo da operação, concedeu procurações sucessivas a Dayane para administrar um imóvel adquirido em dezembro de 2025. Para a polícia, a forma de pagamento do bem era incompatível com a condição financeira do comprador e indicaria possível ocultação do verdadeiro proprietário.

A apuração afirma que Dayane recebeu poderes formais para administrar o imóvel e, por isso, não teria atuado apenas como advogada, mas também na gestão concreta de patrimônio supostamente ligado ao núcleo da facção.

A defesa contesta essa versão. O advogado Jean Carlos Pereira afirma que Dayane atua nas áreas criminal e cível e que apenas prestou serviços jurídicos a pessoas investigadas na operação.

Segundo a defesa, a advogada possui contratos, comprovantes de honorários e documentos relacionados à compra e venda do imóvel. O advogado também sustenta que os valores da negociação não foram depositados em conta particular de Dayane.

As investigações também citam que Dayane mantém relacionamento com um homem conhecido como “Japão”, apontado pela polícia como integrante da facção e com antecedentes por roubo e tráfico de drogas. A polícia afirma ainda que ele faria parte do mesmo círculo social de WT.

Ao analisar novo recurso, o TJMT concedeu prisão domiciliar à advogada, condicionada ao monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Operação Replay

A Operação Replay foi deflagrada como desdobramento de uma investigação que já havia resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra.

Segundo a Polícia Civil, a análise de dados telemáticos indicou a manutenção de uma estrutura criminosa com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas que, em tese, não teriam capacidade econômica compatível.

Ao todo, dez pessoas foram presas na operação, entre elas Paulo Witer Farias Paelo, o “WT”, além de Alex Junior, Brunno Passos da Silva e Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, “Gordinho” ou “G.D.”.

WT já estava preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, mas, segundo as investigações, continuava exercendo influência sobre o núcleo financeiro da organização. Por isso, teve uma nova prisão preventiva decretada.

A Justiça também autorizou buscas, quebra de sigilos de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos, além do bloqueio de ativos financeiros.

Os bens atingidos pelas medidas foram avaliados em aproximadamente R$ 17,2 milhões. Entre eles estão imóveis de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, terrenos e veículos.

Separadamente, a investigação também pediu bloqueio financeiro de até R$ 15,3 milhões, valor relacionado à contabilidade identificada durante a apuração.

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