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EVENTOS SEVEROS

Estresse climático: calor extremo e queimadas impactam a vida dos mato-grossenses

Muvuca Popular

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Para quem vive em Mato Grosso, o estresse climático está longe de ser apenas um conceito técnico. Nos últimos anos, a população tem convivido com períodos de calor extremo em Cuiabá, longos períodos de estiagem, baixa umidade do ar e fumaça provocada por incêndios que atingem diferentes regiões do estado.

Esses fenômenos fazem parte do que especialistas chamam de estresse climático, termo que vem sendo utilizado para descrever a pressão crescente que eventos como calor extremo, secas, queimadas e chuvas intensas exercem sobre a população, os serviços públicos e a capacidade de resposta das cidades.

O calor frequentemente registrado em Cuiabá, uma das capitais mais quentes do país, as queimadas que afetam o Pantanal, o Cerrado e áreas da Amazônia mato-grossense, além de períodos prolongados de seca e estiagem, são exemplos de situações que afetam diretamente a rotina da população. Mais do que uma questão ambiental, o estresse climático tem reflexos na saúde pública, na economia, na infraestrutura urbana, no abastecimento de água, na mobilidade e na qualidade de vida das pessoas.

Segundo o desembargador Rodrigo Roberto Curvo, coordenador do Núcleo de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e responsável pelo eixo Meio Ambiente da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), os efeitos desses eventos alcançam diversas dimensões da vida em sociedade. “Quando ocorre uma enchente, uma seca severa, um incêndio de grandes proporções ou uma onda de calor, os impactos podem atingir direitos fundamentais, relações econômicas, patrimônio, saúde pública, moradia e infraestrutura.”

Impactos que chegam ao cotidiano
Os efeitos do estresse climático são percebidos de diferentes formas. As ondas de calor aumentam os riscos de desidratação, exaustão e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Já as queimadas comprometem a qualidade do ar e afetam principalmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. Além disso, eventos extremos podem provocar prejuízos materiais, interromper serviços essenciais e dificultar o acesso da população a direitos básicos.

Para Rodrigo Curvo, é necessário compreender que esses fenômenos não devem ser observados apenas quando produzem grandes desastres. “A prevenção é fundamental. Não podemos pensar apenas no momento posterior ao desastre. É necessário compreender os riscos, estimular o planejamento e fortalecer políticas que reduzam a vulnerabilidade da população.”

A adoção de medidas preventivas, o fortalecimento da infraestrutura urbana e o planejamento adequado das cidades são apontados pelo magistrado como caminhos para diminuir os impactos dos eventos extremos e proteger a população.

Os mais vulneráveis sofrem mais
O debate sobre estresse climático também está relacionado ao conceito de Justiça Climática, que destaca como os efeitos das mudanças do clima atingem as pessoas de maneira desigual. Comunidades com menor acesso a infraestrutura, saneamento, moradia adequada e serviços públicos costumam enfrentar maiores dificuldades para prevenir danos e se recuperar após eventos extremos.

De acordo com o desembargador, essa é uma realidade que precisa ser considerada na construção de políticas públicas e soluções institucionais. “As populações mais vulneráveis normalmente possuem menos recursos para prevenir os danos, adaptar-se às mudanças e reconstruir suas vidas depois de um desastre”, assinala.

Para ele, discutir mudanças climáticas é também discutir dignidade humana, igualdade e proteção de direitos. “A Justiça Climática nos convida a olhar para quem sofre os maiores impactos e para a responsabilidade das instituições na construção de respostas mais equilibradas e efetivas.”

Cidades mais resilientes
Em estados como Mato Grosso, onde os efeitos das queimadas, da estiagem e das altas temperaturas já fazem parte da realidade anual, o fortalecimento de políticas públicas torna-se ainda mais importante. “Quanto mais preparados estivermos para antecipar riscos, menores poderão ser os impactos humanos, sociais e econômicos dos eventos extremos”, ressalta Curvo.

O acesso à informação é uma das ferramentas mais importantes para a conscientização e a prevenção dos impactos ambientais. Com esse objetivo, o Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima), criado pela Esmagis-MT em 2025, disponibiliza o Portal de Monitoramento Ambiental, plataforma que reúne dados sobre queimadas, desmatamento e condições meteorológicas em um único ambiente digital.

Para a coordenadora do Cesima no âmbito da Esmagis-MT, juíza Henriqueta Lima, a ferramenta contribui para ampliar o acesso da população a informações qualificadas sobre o meio ambiente. “Nosso objetivo é disponibilizar em uma única plataforma dados confiáveis, organizados e acessíveis, permitindo que gestores, pesquisadores, instituições e cidadãos compreendam melhor as transformações que ocorrem no meio ambiente e possam atuar de forma mais consciente e preventiva.”

O sistema integra informações da NASA FIRMS, responsável pelo monitoramento global de focos de calor e incêndios; do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); e da OpenWeather, que fornece dados sobre temperatura, umidade do ar, ventos e condições climáticas.

A plataforma também utiliza Inteligência Artificial para identificar padrões e tendências a partir dos dados monitorados, auxiliando na interpretação das informações e ampliando a compreensão sobre os fenômenos ambientais.

Na prática, a ferramenta permite acompanhar informações sobre focos de calor, queimadas, desmatamento e condições meteorológicas, contribuindo para ampliar a compreensão sobre fenômenos que afetam diretamente a realidade de Mato Grosso.

Para Curvo, em um estado que convive anualmente com altas temperaturas, incêndios florestais e períodos prolongados de seca, compreender os efeitos do estresse climático torna-se cada vez mais importante. “O acesso à informação, aliado à prevenção e ao planejamento, é um dos caminhos para fortalecer a capacidade de resposta da sociedade diante dos desafios ambientais do presente e do futuro.”

Segundo ele, a conscientização sobre os impactos dos eventos climáticos extremos e o acompanhamento de dados ambientais são passos importantes para que cidadãos, instituições e gestores públicos possam contribuir para a construção de cidades mais resilientes, preparadas e sustentáveis.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

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