CARGOS DE CONFIANÇA
Abilio diz que exoneraria secretário que usasse “camisa do PT” em ato político
Gustavo Castro e Renato Ferreira
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que exoneraria um secretário ou assessor de sua gestão que assumisse publicamente apoio ao PT ou a um candidato adversário do grupo político ao qual pertence. A declaração foi dada nesta sexta-feira (28), ao comentar a participação da secretária de Educação de Várzea Grande, Maria Fernanda, em um evento do senador Carlos Fávaro (PSD), no qual ela apareceu usando um boné do PT.
Maria Fernanda foi nomeada pela prefeita Flávia Moretti (PL), que integra o mesmo campo político de Abilio e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Fávaro, por outro lado, é candidato à reeleição ao Senado e integra o grupo político que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso.
Ao ser questionado sobre a situação, Abilio comparou o caso com uma hipótese envolvendo integrantes de um governo petista e apoiadores de Flávio Bolsonaro.
“Então, imagina que um dos ministros do Lula vestisse o boné do Flávio Bolsonaro, como ele reagiria? Ele manteria o ministro no cargo? Imagina que algum assessor de um desses ministros vestisse a camisa verde-amarela e falasse que é a favor do Flávio Bolsonaro. Como que esse assessor estaria no cargo? Ele estaria nomeado ainda? Estaria contratado ainda?”, questionou.
“Vou mandar embora”
Na sequência, Abilio afirmou que adotaria a mesma postura caso um integrante de sua administração assumisse posição política contrária ao grupo que o elegeu.
“Eu pretendo agir como o Lula agiria. Se o Lula ia mandar embora, eu vou mandar embora”, afirmou.
O prefeito também disse que integrantes do primeiro escalão e servidores comissionados ocupam cargos de confiança e, por isso, não deveriam utilizar suas funções públicas para manifestar posicionamentos políticos.
“O secretário não pode participar de eventos políticos tendo na função”, declarou.
Abilio ainda citou diretamente uma eventual manifestação de apoio ao PT por parte de integrantes de sua equipe.
“Mas se alguém na minha gestão estiver vestindo a camisa vermelha ou do PT ou do Lula e não sei o que, pede para sair porque é cargo de confiança. O secretário é cargo de confiança. O assessor comissionado é cargo de confiança”, afirmou.
Secretária diz separar política da gestão
A declaração de Abilio ocorre após Maria Fernanda defender que suas preferências políticas pessoais não interferem no trabalho desenvolvido na Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande.
A secretária participou, no domingo (16), de um ato de campanha de Carlos Fávaro realizado no Contorno Leste, em Cuiabá. Durante o evento, ela apareceu ao lado de apoiadores usando um boné com a identificação do PT, além de adesivo e bandeira da chapa.
Após a repercussão, Maria Fernanda afirmou que suas convicções políticas são anteriores à nomeação para o cargo e que sabe separar sua vida pessoal das responsabilidades como gestora.
“Eu não estou levando uma bandeira para dentro de uma secretaria, mas as minhas convicções, elas existem antes da secretaria na minha vida. Então, eu sou uma técnica que respeita o meu espaço quando eu estou dentro da secretaria, mas eu tenho uma vida e eu tenho os meus princípios”, afirmou.
A secretária também elogiou Flávia Moretti justamente pelo respeito às escolhas individuais dos integrantes da administração.
“Uma das coisas que eu mais admiro na Flávia é o respeito à democracia. Quando eu estou na minha vida íntima, eu sou Maria Fernanda, eu sei separar muito bem isso. Lá na Secretaria de Educação, eu sou a secretária de Educação”, declarou.
Maria Fernanda assumiu o comando da Secretaria Municipal de Educação em 13 de março deste ano, após a saída de Igor Cunha, que deixou a administração para assumir a Superintendência do Senac Mato Grosso.
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