Eleita corregedora-geral da Justiça de Mato Grosso para o biênio 2027-2028, a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos afirmou que não haverá protecionismo na apuração de possíveis irregularidades cometidas por magistrados. Ao ser questionada sobre como conduzirá esses casos, ela defendeu a responsabilização quando os desvios forem comprovados, com garantia do direito de defesa.
“Eu não passaria a mão na cabeça de ninguém, no sentido de ter um protecionismo, uma coisa assim, mas eu não serei injusta com ninguém”, declarou.
Helena foi eleita por aclamação na sessão administrativa do Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada ontem, quinta-feira (8). Na mesma sessão, o atual corregedor-geral, desembargador José Luiz Leite Lindote, foi escolhido presidente da Corte, e o desembargador Gilberto Giraldelli, vice-presidente.
Durante a entrevista, a magistrada foi questionada sobre o afastamento de dez magistrados em Mato Grosso e se adotaria uma postura mais rigorosa à frente da Corregedoria. Helena rejeitou a classificação de sua futura atuação como dura ou branda e afirmou que o critério será a correção das condutas.
“Olha, não existe linha dura, ou frouxa, ou mole. O que existe é o que é certo. Quem fez alguma coisa errada vai ter que responder”, afirmou.
A corregedora eleita ressaltou que os investigados devem ter condições de apresentar suas defesas e esclarecer os fatos. Ao mesmo tempo, sustentou que a permanência de maus magistrados compromete a confiança da população na Justiça.
“Nós queremos um Judiciário sério, em que o povo confie”, disse.
Questionada sobre uma declaração que atribuiu os problemas do poder às pessoas que o integram, Helena afirmou que os casos investigados não representam o conjunto da magistratura. Segundo ela, o Judiciário reúne quase 400 magistrados, e os desvios individuais precisam ser apurados sem desconsiderar o trabalho dos demais.
A desembargadora também apontou os limites dos concursos públicos na avaliação dos candidatos à magistratura.
“O concurso mede a capacidade técnica de um juiz, mas não mede o caráter de ninguém. Não existe essa prova”, declarou.
À frente da Corregedoria, Helena será responsável pela orientação, fiscalização e aprimoramento dos serviços judiciais de Primeiro Grau e das serventias extrajudiciais do Estado. Ela afirmou que acompanhará tanto a produtividade das unidades quanto a conduta ética dos profissionais.












