segunda-feira, 12 outubro, 2026

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Cerrado perde 13,9 milhões de hectares de vegetação próxima a rios

Muvuca Popular com Agência Brasil

O Cerrado, um dos três biomas presentes em Mato Grosso, perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em áreas localizadas a até 500 metros de rios e outros cursos de água entre 1985 e 2025. Na Bacia do Araguaia, que abrange parte do território mato-grossense, a redução chegou a 2,7 milhões de hectares. Os números se referem ao conjunto do bioma e da bacia, respectivamente, e não apenas ao estado.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pelo MapBiomas e integram um recorte da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil. Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a retirada da vegetação próxima aos rios pode comprometer a qualidade e a disponibilidade da água.

“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água”, explicou.

A área perdida nas proximidades dos cursos de água equivale ao tamanho do Amapá e representa 26,9% de toda a vegetação nativa convertida para outros usos no Cerrado durante o período. A redução também pode tornar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

Entre as seis grandes bacias hidrográficas que têm origem no Cerrado, o Alto Tocantins registrou a maior perda de vegetação nessa faixa, com redução de 2,9 milhões de hectares. Ao lado da Bacia do Araguaia, concentrou 41% de toda a perda registrada a até 500 metros dos rios do bioma.

Avanço da agropecuária

Ao longo dos 41 anos analisados, o Cerrado apresentou perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, uma redução de 34%. Considerando também as áreas convertidas antes de 1985, a perda acumulada atingiu 49,6% da cobertura original do bioma em 2025.

A formação savânica foi a mais afetada em extensão, com redução de 34 milhões de hectares, equivalente a 41%. A formação florestal perdeu cerca de 12,8 milhões de hectares, ou 25%, enquanto a campestre teve redução de 3,6 milhões de hectares, correspondente a 39%.

A maior parte da vegetação nativa deu lugar à agropecuária, cuja área cresceu de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares. Em 2025, a atividade ocupava 48,9% do bioma. A agricultura abrangia 29,7 milhões de hectares, e a pecuária, 53,9 milhões.

Nesse período, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco e o Distrito Federal passaram a ter menos da metade de suas respectivas porções de Cerrado cobertas por vegetação nativa. São Paulo já estava nessa condição no início da série histórica, com apenas 24,1% de cobertura nativa em 1985.

Vegetação remanescente

Entre os estados que conservaram mais da metade da vegetação nativa em suas porções do Cerrado, o Piauí apresentou a maior proporção, com 78,2%, seguido de Rondônia, com 76,5%, e Maranhão, com 67,4%.

Todos os estados do Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, mantiveram mais de 50% de vegetação nativa em suas áreas de Cerrado. Juntos, reuniam 47,7% de toda a vegetação remanescente do bioma em 2025.

No recorte municipal, 301 municípios deixaram de ter predomínio de vegetação nativa. Desse total, 227 passaram a ter menos de 20% de sua porção de Cerrado coberta por essa vegetação.

A agropecuária passou a predominar nas áreas de Cerrado de 61% dos municípios em 2025, ante 41% em 1985.

As áreas privadas concentraram 77,7% da perda de vegetação nativa registrada no bioma. Nas áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a redução da cobertura nativa ao longo dos 41 anos foi de 13,9%.

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