terça-feira, 20 outubro, 2026

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OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

Veja quem são os vereadores alvos da operação que investiga esquema na eleição da Mesa Diretora de VG

Nickolly Vilela

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis, que tem entre os investigados 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A ação apura suspeitas de compra de votos, corrupção e atuação de uma organização criminosa envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.

Entre os parlamentares de Várzea Grande apontados como alvos estão o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), Alessandro Moreira (MDB), Braz Jaciro (PSDB), Cilcinho (PV), Sargento Galibert (PSB), Enfermeiro Emerson (PP), Gisa Barros (Podemos), Kleberton Feitoza (PSB), Lucélia Oliveira (Agir), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Raul Curvo (Republicanos), Wender Madureira (Republicanos), Rogerinho Dakar (PSDB) e Rosi Prado (União Brasil).

Em Cuiabá, os vereadores citados são Ilde Taques (Podemos) e Alex Rodrigues (Podemos). Também aparecem entre os alvos das diligências o servidor Samir Katumata, apontado como secretário Legislativo da Câmara de Várzea Grande, e Lorineide Inhan, conhecida como Lori, que ocupa cargo de direção na área administrativa do Legislativo municipal.

Ao todo, a operação cumpre 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Mais de 200 policiais participam da ação, que conta com apoio de unidades especializadas, como Bope, Rotam, Cavalaria e equipes de inteligência.

Segundo o Ministério Público, as investigações apontam para a possível atuação estruturada de um grupo dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos e práticas de corrupção, com potencial interferência nas atividades da administração pública municipal.

Suspeita de compra de votos

A investigação teve início após uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público em maio, às vésperas da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O relato apontava que parlamentares teriam permanecido reunidos em uma chácara no distrito da Guia, sob vigilância de seguranças armados, e que teria ocorrido pagamento de vantagens para garantir apoio à chapa encabeçada por Wanderley Cerqueira.

Na eleição realizada em 14 de maio, Wanderley foi reconduzido à presidência por 12 votos a 11. O resultado, entretanto, acabou anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dias depois.

Os investigadores apuram possíveis crimes de corrupção ativa, ameaça, extorsão, chantagem e cárcere privado. A denúncia também menciona uma suposta articulação para controlar o Legislativo e viabilizar a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL), além de um possível acordo envolvendo pagamento de propina relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

A disputa pelo comando da Câmara ganhou relevância política após a renúncia do então vice-prefeito Tião da Zaeli, em março. Sem vice no Executivo municipal, o presidente do Legislativo é o primeiro na linha sucessória em caso de afastamento da prefeita.

Buscas na casa da mãe de Wanderley

Durante a operação desta terça-feira, policiais estiveram na residência da mãe de Wanderley Cerqueira, localizada no bairro Ipase, em Várzea Grande. Imagens da movimentação dos agentes no imóvel circularam nas redes sociais.

O próprio presidente da Câmara confirmou a diligência e informou que também foram realizadas buscas em endereços ligados à vereadora Gisa Barros, eleita primeira-secretária na chapa vencedora de maio, e à servidora Lorineide Inhan.

Aparelhos celulares foram apreendidos durante os trabalhos e deverão ser analisados pelos investigadores para aprofundar a apuração sobre as possíveis irregularidades.

A operação recebeu o nome de Cathedra Venalis, expressão em latim que significa “cadeira venal” ou “cargo negociado”, em referência às suspeitas de negociação de vantagens ilícitas envolvendo funções públicas.

O Gaeco informou que as medidas judiciais têm como objetivo reunir novos elementos de prova e esclarecer a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a administração pública.

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