O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica após uma investigação sobre complicações e sequelas decorrentes de cirurgias plásticas realizadas em Barra do Garças (509 km de Cuiabá). O inquérito foi concluído pela 1ª Delegacia de Polícia do município e encaminhado à Justiça.
A investigação começou após quatro mulheres procurarem a delegacia para denunciar complicações relacionadas a procedimentos estéticos, como lipoaspiração, mastopexia e implantação ou troca de próteses de silicone. A maior parte das cirurgias investigadas foi realizada em 2023.
Para apurar as denúncias, os policiais reuniram depoimentos das pacientes, prontuários médicos, comprovantes hospitalares, exames e fotografias das lesões. Também foram ouvidos profissionais de saúde que acompanharam as internações e o período pós-operatório. A investigação contou ainda com análises da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Segundo os relatos, as pacientes enfrentaram dores persistentes, deformidades nas mamas, assimetrias acentuadas e dificuldades de cicatrização. Em um dos casos, uma mulher sofreu necrose nas aréolas após passar por dois procedimentos cirúrgicos consecutivos entre 2023 e 2024.
Os laudos da Politec confirmaram deformidades e lesões estéticas permanentes nas mamas e nos mamilos de duas das quatro mulheres. Nos outros dois casos, os exames periciais não identificaram lesões que se enquadrassem nos critérios técnicos para a caracterização de lesão corporal.
Prontuário médico
Além das denúncias relacionadas às sequelas, a Polícia Civil identificou indícios de falsidade ideológica envolvendo o prontuário de uma das pacientes.
Conforme a investigação, durante a retirada de uma prótese mamária, o implante se rompeu. No entanto, segundo o relatório policial, a ocorrência não foi registrada no relatório cirúrgico correspondente.
A apuração levou em consideração as declarações da paciente, a prótese apresentada para exame e a documentação médica. Embora a perícia não tenha estabelecido relação causal direta entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela mulher, a autoridade policial apontou indícios de omissão de informação relevante no documento.
Em interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. Ele alegou que as intercorrências estavam relacionadas aos procedimentos, às particularidades de cada organismo e ao processo de cicatrização. Também afirmou que prestou acompanhamento pós-operatório e se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores, quando necessários.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil formalizou o indiciamento e encaminhou os autos ao Poder Judiciário para as providências cabíveis. O oferecimento de eventual denúncia cabe ao Ministério Público.
Outro lado
O Muvuca Popular procurou o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) para comentar o caso. O órgão informou que emitirá uma nota sobre o assunto.














