Um vídeo registra a abordagem da Polícia Militar aos vereadores de Cuiabá Ilde Taques (Podemos) e Alex Rodrigues (Podemos), após um almoço com parlamentares em uma chácara em Várzea Grande. O episódio teria sido o ponto de partida da investigação que resultou na Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta terça-feira (20). Na ocasião, dinheiro em espécie, também teria sido apreendido.
“Era uma confraternização entre vereadores. Eu participei, demorei pouco, menos de duas horas, e fui embora. Se tivesse me convidado, iria de novo, porque quem me convidou foi um amigo meu”, afirmou Ilde, ao negar que o encontro tenha servido para negociar votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
As imagens seriam do momento em que os dois parlamentares foram parados depois de deixarem o encontro. A relação entre a abordagem e a abertura da investigação é apontada em informações preliminares.
Eleito presidente da Câmara de Cuiabá na sessão de 6 de outubro, Ilde confirmou que teve o celular apreendido durante as buscas desta terça-feira. Segundo ele, os agentes foram recebidos em sua residência e recolheram apenas o aparelho.
“Recebi as autoridades. É importante falar que eu respeito o trabalho das autoridades. Levaram apenas meu celular”, declarou.
Questionado sobre informações de que haveria dinheiro no veículo durante a abordagem, o vereador reiterou que não houve apreensão de material ilegal.
“Não apreenderam nada ilegal, nem na minha casa e nem na abordagem”, disse.
Ilde também negou que a eleição da Câmara de Várzea Grande tenha sido discutida enquanto esteve no almoço.
“Não foi falado nada de articulação lá. Não foi falado nada da eleição da Câmara. Eu fui apenas convidado para um almoço. Ainda fui de última hora”, afirmou.
Alex Rodrigues também confirmou, por meio de nota, a apreensão de seu celular. O parlamentar declarou que participou exclusivamente de um almoço informal com vereadores de Várzea Grande, sem a finalidade de discutir, negociar ou interferir na escolha da Mesa Diretora.
Na manifestação, Alex negou envolvimento em negociações ilícitas e afirmou que a presença em um encontro entre parlamentares não pode ser confundida com participação em eventuais irregularidades de terceiros.
O vereador informou ainda que seu gabinete não foi alvo da operação e que não houve medida judicial direcionada ao exercício de seu mandato. Disse estar à disposição das autoridades e afirmou confiar que a análise do telefone contribuirá para esclarecer sua conduta.
A Operação Cathedra Venalis apura suspeitas de compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande e a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a administração pública.
Mais de 200 policiais foram mobilizados para cumprir 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois da Capital.
Em Várzea Grande, uma nova eleição da Mesa Diretora deve ocorrer em novembro, após a anulação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da votação realizada em 14 de maio. A disputa envolve Lucas do Chapéu do Sol e o atual presidente, Wanderley Cerqueira (MDB), que busca a reeleição.














