A empresa União Transportes, responsável pelo transporte coletivo de Várzea Grande, também está na mira do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) após denúncias de que estaria por trás do financiamento de um suposto mensalinho de R$ 10 mil a vereadores do município para garantir apoio político na Câmara Municipal. A concessionária também é investigada possível utilização irregular de um ônibus do transporte público no projeto denominado “Bazar Itinerante”. Em depoimento ao Gaeco, o vereador Caio Cordeiro afirmou que, após iniciar fiscalizações envolvendo a União Transporte e Turismo Ltda., teria recebido uma proposta do então presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, para receber R$ 10 mil mensais.
Segundo o parlamentar, Wanderley teria afirmado que os pagamentos seriam custeados pela própria empresa de transporte, por intermédio de Rômulo Botelho. Caio declarou ter recusado a proposta e ressaltou não possuir elementos para afirmar que outros vereadores efetivamente recebiam o chamado mensalinho.
O depoimento também levanta suspeitas sobre uma possível tentativa de blindagem política da concessionária. Caio relatou dificuldades para avançar com fiscalizações e propostas legislativas relacionadas ao transporte coletivo, além de obstáculos à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o setor.
Ainda conforme o relato, conversas envolvendo a retirada da CPI teriam incluído referências a vantagens financeiras milionárias. Em uma das interlocuções mencionadas pelo vereador, teria sido afirmado que nem mesmo R$ 2 milhões seriam suficientes para solucionar a questão.
O Gaeco ainda apura a possível utilização de um ônibus destinado ao transporte coletivo no evento denominado “Bazar Itinerante”, em Várzea Grande.
A suspeita surgiu após o recebimento de imagens e informações indicando que o veículo poderia ter sido utilizado para finalidade diferente daquela prevista contratualmente.
Conforme o Relatório de Informações nº 064/2026, os investigadores realizaram levantamentos e constataram que não havia registros do termo “Bazar Itinerante” no Diário Oficial Eletrônico da Prefeitura de Várzea Grande nem no Portal da Transparência da Câmara Municipal.
Outro detalhe chamou a atenção do Gaeco: em 16 de julho de 2026, o ônibus permanecia adesivado e caracterizado com a identificação do projeto. Diante das informações, o Ministério Público encaminhou um ofício à União Transportes solicitando esclarecimentos sobre eventual cessão de veículos da frota para atividades diferentes daquelas previstas na prestação do serviço.
Em resposta, a concessionária afirmou que “não tem conhecimento da ocorrência de cessão de veículos de sua frota, no âmbito do Município de Várzea Grande/MT, para finalidade diversa daquela a que regularmente se destinam”.
As suspeitas constam nos autos da Operação Cathedra Venalis, que investiga um possível esquema de corrupção, extorsão e organização criminosa envolvendo agentes políticos e interesses empresariais no município.














