O vereador Alex Rodrigues (Podemos) questionou a busca e apreensão realizada em sua residência durante a Operação Cathedra Venalis e negou envolvimento em irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Ao comentar o caso nesta quinta-feira (22), o parlamentar afirmou que os R$ 40 mil encontrados pela Rotam no veículo em que estava pertenciam ao vereador Ilde Taques (Podemos) e eram provenientes de um empréstimo para pagar uma reforma.
“O erro meu mesmo, igual eu falei, foi estar no lugar errado, na hora errada”, declarou. Sobre a medida judicial, acrescentou: “Eu quero entender por que uma busca e apreensão na minha casa se no relatório do Gaeco não tem absolutamente nada”.
Alex e Ilde estão entre os investigados na operação deflagrada na terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). A apuração busca esclarecer suspeitas de compra de votos, corrupção e atuação de organização criminosa na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, realizada em 14 de maio.
A presença dos dois na investigação está relacionada a um encontro em uma chácara no Distrito da Guia, na véspera da votação, e à abordagem ao veículo em que estavam após deixarem o local. Conforme o pedido de busca e apreensão descrito pelo Muvuca Popular, policiais localizaram R$ 40 mil em espécie no automóvel, e os ocupantes alegaram que o dinheiro era proveniente de um empréstimo entre particulares. O trecho do documento não individualiza a quem pertencia o valor nem apresenta conclusão sobre seu uso para pagamento de vantagens indevidas.
Convite para almoço
Alex afirmou que foi à propriedade a convite do vereador Miguel Júnior, a quem descreveu como amigo particular. Segundo ele, estava com o chefe de gabinete, que também é seu primo e proprietário do carro, quando informou a Ilde que seguiria para o encontro. Os três foram juntos.
“Nós fomos convidados pelo vereador Miguel, que é amigo particular nosso. Eles estavam lá na chácara confraternizando, fazendo almoço”, disse.
O parlamentar ressaltou que a abordagem ocorreu durante o retorno e que não se tratava de uma blitz. Segundo sua versão, os policiais informaram que verificavam uma denúncia anônima sobre possível clonagem do veículo e transporte de armas e drogas.
“Pararam a gente, falaram na abordagem que era porque o carro do meu assessor era um carro dublê”, afirmou.
Alex disse que os advogados solicitaram acesso ao teor da denúncia mencionada pelos policiais.
Conforme a representação divulgada pelo Muvuca Popular, o apoio da Rotam foi solicitado pelo Gaeco diante da suspeita de que o T-Cross estivesse sendo utilizado para transportar armas e dinheiro. A diligência ocorreu após investigadores acompanharem a movimentação na chácara. O trecho sobre a abordagem não informa que armas tenham sido localizadas.
Revistas individuais
De acordo com Alex, os policiais fizeram as verificações separadamente. Primeiro, revistaram o veículo com o acompanhamento do proprietário. Depois, examinaram a mochila do parlamentar, na qual ele disse carregar notebook e documentos. Por último, verificaram a mochila de Ilde.
“Fizeram toda a averiguação dentro da minha mochila, onde eu carrego meu notebook, os documentos impressos, e não acharam absolutamente nada”, declarou.
Segundo o vereador, os R$ 40 mil estavam na mochila de Ilde. Alex afirmou que o dinheiro não foi apreendido e que o colega possuía documentação sobre a origem do recurso.
“Era do empréstimo para ele pagar uma reforma que ele estava fazendo, que ele ficou de pagar em espécie”, disse.
Na sessão desta quinta-feira, Ilde também declarou que o dinheiro era seu e seria destinado ao pagamento de mão de obra em uma obra em sua propriedade. A origem e a eventual relação do valor com os fatos investigados são pontos que precisam ser esclarecidos na apuração.
Denúncia sobre a eleição
Conforme publicado pelo Muvuca Popular, a investigação teve origem em uma denúncia anônima sobre uma suposta articulação para garantir a permanência de Wanderley Cerqueira (MDB) na presidência da Câmara de Várzea Grande. O relato apontava que vereadores estariam reunidos em uma chácara em 13 de maio e que dinheiro em espécie seria utilizado para comprar votos.
O Gaeco realizou diligências após receber as informações. O material descrito na representação inclui registros da movimentação na propriedade, além de imagens de drones. Na eleição do dia seguinte, Wanderley foi reeleito por 12 votos a 11, mas o resultado foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Perguntado se acreditava ter sido alvo de uma armação, Alex afirmou que não poderia fazer essa acusação. Disse reconhecer que os investigadores precisavam verificar a denúncia recebida.
“A gente viu o relatório do Gaeco. No relatório do Gaeco fala que foi uma denúncia anônima e eles tiveram que fazer essa abordagem”, declarou.
O parlamentar reiterou que compareceu ao almoço como amigo do anfitrião e negou ligação com negociações políticas em Várzea Grande. Também afirmou que colaborou com os policiais durante a revista.
“Quando a gente foi abordado, nós não chamamos advogado, nós não chamamos absolutamente ninguém”, disse. “Fomos tocar a nossa vida e depois veio isso aí.”
A Operação Cathedra Venalis mobilizou mais de 200 policiais para o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Alex e Ilde confirmaram que tiveram os celulares apreendidos durante as buscas e negaram participação em negociações ilícitas.














