terça-feira, 27 outubro, 2026

Expediente

Muvuca Popular

INTOLERÂNCIA POLÍTICA

PT cobra apuração de tiros e supostas listas de boicote contra apoiadores de Lula em MT

Gustavo Castro

A direção estadual do PT cobrou providências das autoridades diante de denúncias de violência política e perseguição contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso. A nota foi divulgada após os disparos atribuídos a um vereador contra pessoas que comemoravam a vitória do petista, no domingo (25), e em meio a relatos sobre supostas listas de boicote a comerciantes e empresários associados ao presidente.

“Nenhum cidadão deve ser perseguido, perder seu emprego ou ter seu sustento ameaçado por causa de seu voto”, afirma o partido.

As denúncias incluem a circulação, em algumas cidades de Mato Grosso, de supostas listas que identificam estabelecimentos cujos proprietários teriam apoiado Lula e incentivam consumidores a deixar de comprar nesses locais. A atribuição de voto aos empresários não comprova a escolha feita por eles nas urnas, que é sigilosa.

Na nota, o PT também menciona ameaças de demissão, restrições à contratação de trabalhadores por suas convicções políticas e manifestações xenofóbicas. A legenda classifica essas práticas como incompatíveis com a democracia e pede que as denúncias sejam investigadas.

“Mato Grosso é um estado construído pelo trabalho e pela contribuição de brasileiros de diferentes regiões”, destaca o documento. O partido sustenta que divergências eleitorais ou preconceito regional não podem justificar iniciativas para excluir cidadãos ou comprometer seu sustento.

A direção estadual solicita atuação do Governo de Mato Grosso, de parlamentares, prefeituras, Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria Pública e forças de segurança. O pedido inclui apuração dos relatos, prevenção de novas ocorrências e responsabilização de eventuais infratores.

O PT também faz um apelo às entidades representativas do comércio, da indústria e do agronegócio para que rejeitem publicamente a perseguição econômica, a discriminação e a intolerância política.

Vereador preso após disparos

Entre os episódios registrados após o segundo turno está a prisão do vereador Marcos Aurélio Bento Pena (MDB), conhecido como Marco Aurélio Bombeiro, em General Carneiro (450 km de Cuiabá). Ele é suspeito de atirar contra pessoas que comemoravam a vitória de Lula na noite de domingo (25). Duas mulheres, de 20 e 24 anos, ficaram feridas.

Segundo o boletim de ocorrência, os disparos partiram da janela da residência do parlamentar em direção ao grupo reunido em uma lanchonete. A Polícia Militar negociou por aproximadamente 50 minutos até que ele se entregasse. A motivação do ataque ainda não havia sido esclarecida pela polícia.

Conforme o registro policial, o vereador admitiu ter efetuado os disparos. Na residência, os militares apreenderam três armas e uma caixa de chumbinhos. Ele foi encaminhado à Polícia Civil, e a ocorrência foi registrada como posse irregular de arma de fogo de uso permitido, lesão corporal e disparo de arma de fogo.

Veja a nota:

Os relatos de violência política, perseguição e discriminação contra eleitores e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em municípios de Mato Grosso são motivo de profunda preocupação. Denúncias de boicotes a estabelecimentos comerciais, ameaças de demissão, restrições à contratação de trabalhadores por suas convicções políticas e manifestações xenofóbicas exigem atenção e resposta firme das autoridades.

De várias cidades chegam relatos, divulgados pela imprensa, que dão conta de iniciativas para constranger comerciantes, trabalhadores e cidadãos em razão de suas escolhas eleitorais ou de sua origem regional. São práticas incompatíveis com os princípios democráticos e com o respeito à dignidade humana. Nenhum cidadão deve ser perseguido, perder seu emprego ou ter seu sustento ameaçado por causa de seu voto.

Mato Grosso é um estado construído pelo trabalho e pela contribuição de brasileiros de diferentes regiões. Acolheu empresários, produtores rurais e trabalhadores que aqui encontraram oportunidades para investir, empreender, prosperar e construir suas vidas. É contraditório que, em uma terra marcada pela força do trabalho e pela capacidade de acolher, surjam iniciativas de exclusão motivadas por divergências políticas ou preconceito regional.

A democracia não se limita ao voto: pressupõe respeito às diferenças, liberdade de consciência e igualdade de direitos. A pluralidade política não ameaça o desenvolvimento do estado. Ao contrário, é essencial para uma sociedade livre, justa e comprometida com a convivência pacífica.

Diante desse cenário, a direção estadual do Partido dos Trabalhadores, conclama o Governo de Mato Grosso, os parlamentares, as prefeituras e as instituições do sistema de Justiça — Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria Pública e forças de segurança — a atuarem, dentro de suas competências, na apuração das denúncias, na prevenção de novas ocorrências e na responsabilização de eventuais infratores. É indispensável garantir proteção integral aos trabalhadores e assegurar seus direitos, inclusive no acesso ao emprego e à renda.

Apelamos também às lideranças empresariais, às entidades representativas do comércio, da indústria e do agronegócio e à sociedade civil para que rejeitem publicamente qualquer forma de perseguição econômica, discriminação ou intolerância política.

Mato Grosso precisa de paz, respeito e união. A prosperidade deve ser construída com trabalho e liberdade, jamais com medo, exclusão ou perseguição. Defender a democracia é garantir que todos possam viver, trabalhar e empreender com dignidade, independentemente de seu voto ou de sua origem.

Leia também