quarta-feira, 28 outubro, 2026

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OPERAÇÃO REESCRITA

Advogados teriam falsificado decisão para tirar Miro Louco de presídio federal e trazê-lo a MT

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Três advogados são investigados por suspeita de falsificar uma decisão judicial para facilitar a transferência de Arcangelo Gonçalves de Jesus, conhecido como Miro Louco, apontado como vice-presidente do Comando Vermelho em Mato Grosso, da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Reescrita para cumprir quatro mandados de busca e apreensão na Capital.

Segundo informações obtidas pelo Muvuca Popular, a suposta manobra tinha como objetivo antecipar a transferência de Miro Louco para Mato Grosso, antes do encerramento do prazo de permanência na unidade federal, estabelecido em decisão judicial anterior.

Miro Louco é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e acumula condenações por homicídios, roubos, furto e associação para o tráfico de drogas. Entre os crimes pelos quais foi condenado está a execução de um homem por uma dívida de R$ 200, em 2015. Preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, ele já teve pedidos de transferência para Cuiabá negados pela Justiça, que considerou sua periculosidade e os riscos à segurança pública.

As investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) apontam que, em junho de 2025, foi apresentado um pedido judicial para a transferência do preso. Em dezembro do mesmo ano, dois advogados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá para cobrar o cumprimento de uma suposta decisão que teria sido proferida em novembro.

Na ocasião, os profissionais apresentaram uma cópia do documento, posteriormente encaminhada ao contato institucional do gabinete. Ao verificar o conteúdo, servidores da Justiça descobriram que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado e sequer constava no processo.

A análise identificou ainda um código de validação pertencente a outro processo, divergências em relação aos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal e indícios de edição externa do arquivo.

Conforme a Polícia Civil, uma das advogadas investigadas teria participado da elaboração ou adulteração da decisão, enquanto os outros dois profissionais seriam responsáveis por apresentar e utilizar o documento perante o Judiciário.

As ordens judiciais foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, Polo Cuiabá. As buscas ocorrem em quatro endereços, sendo três residências dos investigados e um escritório de advocacia.

Os policiais procuram celulares, computadores, notebooks, documentos e outros dispositivos que possam esclarecer a origem da decisão supostamente falsificada e a participação de cada investigado.

A operação é acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso (OAB-MT).

Os três advogados são investigados pelos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. As investigações continuam.

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