quinta-feira, 29 outubro, 2026

Expediente

Muvuca Popular

ALVOS DA PF

Após audiência de custódia, Sérgio Ricardo é levado ao Bope

Gustavo Castro

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, foi encaminhado ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Cuiabá, após ter a prisão preventiva mantida pela Justiça durante audiência de custódia, na tarde desta quinta-feira (29). Ele ficará em uma sala de Estado-Maior, em razão das prerrogativas do cargo de conselheiro, que garantem condições especiais de custódia.

Sérgio Ricardo foi um dos seis presos pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e movimentações financeiras envolvendo o tribunal. Após a audiência, os investigados começaram a deixar a sede da PF para serem encaminhados às unidades de custódia.

Conforme apurado pelo Muvuca Popular, a permanência do presidente do TCE no Bope está relacionada à prerrogativa assegurada aos conselheiros dos tribunais de contas, que possuem garantias equivalentes às dos integrantes da magistratura. Por esse motivo, Sérgio Ricardo tem direito a ficar em sala de Estado-Maior ou em acomodação individual que ofereça condições equivalentes, separado dos presos comuns.

A garantia não depende de ele ser advogado. Sérgio Ricardo é bacharel em Direito, mas o direito à custódia especial decorre exclusivamente da função que exerce como conselheiro. A legislação também assegura prerrogativa semelhante aos advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por fundamento diferente.

A sala de Estado-Maior é um espaço originalmente destinado a funções militares, com características diferentes das de uma cela comum. O Supremo Tribunal Federal (STF) admite, na ausência de uma sala com essas características, a utilização de acomodação individual e digna, desde que o custodiado permaneça separado dos demais presos.

Além de Sérgio Ricardo, foram presos Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Adriangelo Barros Antunes, Felipe José Glinke, Gustavo Fernandes da Silva e Roseli Loss. Os outros investigados serão encaminhados a unidades prisionais de Cuiabá e Várzea Grande.

Ainda segundo apurado, Roseli Loss será encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, na Capital.

Felipe José, Gustavo Fernandes e Grhegory Paiva, por sua vez, foram levados ao Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. Não há informações sobre o destino de Adriangelo Barros Antunes.

A Operação Tomada de Contas foi deflagrada nesta quinta-feira, com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Mais de 180 policiais federais participaram da ação.

A investigação apura suspeitas de favorecimento de empresas contratadas pelo TCE-MT, possíveis cobranças de vantagens indevidas e movimentações financeiras consideradas atípicas. Os investigados podem responder por crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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