sexta-feira, 30 outubro, 2026

Expediente

Muvuca Popular

OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

STJ manda Sicoob comunicar saques em investigação sobre R$ 48,4 milhões pagos a conselheiros do TCE

Patrícia Neves e Renato Ferreira

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o Sicoob informe à Polícia Federal  saques ou reservas de dinheiro em espécie a partir de R$ 10 mil nas contas dos investigados na Operação Tomada de Contas, que apura suspeitas de corrupção no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). A investigação identificou aproximadamente R$ 48,4 milhões creditados aos sete conselheiros envolvidos no período analisado, com indícios de pagamentos fora da folha salarial regular. Deflagrada na quinta-feira (29), a operação resultou em seis prisões preventivas, e todos seguem presos.

A determinação consta da decisão do ministro Og Fernandes, que também ordenou o cancelamento imediato de procurações e de outros poderes concedidos a terceiros para movimentar as contas dos investigados. O documento cita expressamente os poderes de Roseli Loss sobre as contas do presidente do TCE, Sérgio Ricardo de Almeida.

A instituição financeira também está proibida de permitir saques em espécie realizados por procuradores nessas contas. As informações sobre movimentações a partir de R$ 10 mil deverão ser encaminhadas à autoridade policial responsável pela investigação.

Permanecem presos preventivamente Sérgio Ricardo de Almeida, Adriangelo Barros Antunes, Felipe José Glinke, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva e Roseli Loss. As prisões foram decretadas para garantir a ordem pública, a investigação e a aplicação da lei penal.

Conforme já noticiado pelo Muvuca Popular, a movimentação de dinheiro em espécie está entre os pontos centrais da apuração. Segundo os dados apresentados pela Polícia Federal na decisão, foram identificados 150 saques vinculados a Sérgio Ricardo, que somaram R$ 15,6 milhões em menos de dez meses.

Desse total, aproximadamente R$ 15,4 milhões foram retirados diretamente na boca do caixa. A investigação também apontou créditos de R$ 15,4 milhões nas contas do conselheiro no período analisado, incluindo ordens bancárias avulsas e pagamentos registrados em rubricas destinadas a fornecedores.

Ao fundamentar as medidas, Og Fernandes destacou indícios de que a movimentação financeira investigada continuou em 2025 e 2026. Segundo a decisão, após uma diligência policial em outubro de 2025, os grandes saques presenciais diminuíram temporariamente, mas voltaram a ocorrer em maio deste ano.

A investigação começou com uma denúncia sobre possível favorecimento de empresas contratadas pelo TCE. A suspeita é de que a suspensão, a manutenção ou a retomada de pagamentos fossem utilizadas para exigir a devolução de parte dos valores recebidos pelos fornecedores.

Com o avanço das diligências, a PF também identificou indícios de uma suposta folha paralela. Conforme a decisão, conselheiros e servidores teriam recebido pagamentos diretamente da conta do tribunal, fora da folha salarial habitual e, em parte, pelo canal utilizado para pagar fornecedores.

Na cobertura da operação, o Muvuca Popular mostrou apreensões de dinheiro em reais, dólares e euros, além de joias, relógios e garrafas de vinho. As diligências alcançaram a sede do TCE e o apartamento de Sérgio Ricardo, em um edifício de luxo na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, em Cuiabá.

Além das restrições bancárias, o STJ determinou que o tribunal preserve registros de pagamentos, documentos, mensagens institucionais e imagens das câmeras de segurança. O TCE também deverá encaminhar periodicamente à PF a relação das ordens bancárias avulsas emitidas a pessoas físicas, com a justificativa e o ato que fundamentaram cada pagamento.

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