Todo empreendedor deseja ver sua empresa crescer, conquistar clientes e alcançar o sucesso. Mas, para chegar a esse objetivo, não basta aumentar o faturamento. É preciso conhecer os custos do negócio, organizar as contas e se preparar para mudanças que podem afetar diretamente a saúde financeira da empresa. Ao longo da minha experiência na área contábil, vejo como o planejamento e a orientação profissional fazem diferença para a continuidade e o crescimento dos negócios.
A Reforma Tributária é uma dessas mudanças que exigem atenção, principalmente das empresas prestadoras de serviços. A partir de 2027, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) começa a substituir o PIS e a Cofins. Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá gradualmente o ICMS e o ISS, passará por uma transição até 2033.
Essas mudanças exigem preparação. Os empresários precisam entender como a nova tributação poderá afetar os custos, os preços cobrados e a margem de lucro. Quando não há planejamento, a empresa pode perder competitividade, comprometer o caixa e até colocar a continuidade do negócio em risco.
Uma das decisões que merecem atenção é a permanência no Simples Nacional. As empresas precisam avaliar se é mais vantajoso manter o recolhimento dos tributos dentro desse regime ou optar pelo recolhimento da CBS e do IBS pelo regime regular, conforme as regras aplicáveis. Essa segunda possibilidade não significa necessariamente sair do Simples Nacional para todos os tributos.
Não existe uma escolha ideal para todas as empresas. Cada caso precisa ser analisado de acordo com a atividade exercida, os custos, o perfil dos clientes e as características do negócio. Uma prestadora de serviços que atende outras empresas, por exemplo, pode ter necessidades diferentes daquela que trabalha diretamente com o consumidor final. Por isso, recomendo que essa decisão seja tomada com base em cálculos e orientação contábil, e não apenas em suposições.
Também é fundamental acompanhar os prazos. Deixar a análise para a última hora pode dificultar o planejamento e comprometer as decisões da empresa. Minha orientação é que os empresários procurem o contador com antecedência e busquem informações atualizadas junto à Receita Federal para entender quais procedimentos devem seguir.
Outro ponto que considero essencial é o controle dos custos. Não é possível planejar o crescimento de uma empresa sem saber quanto ela gasta, quais impostos precisa pagar e qual é a margem de lucro. O orçamento tributário deve fazer parte do planejamento financeiro, assim como as despesas com funcionários, fornecedores, aluguel e outros compromissos.
Para que a contabilidade possa orientar corretamente, o empresário também precisa fornecer informações completas sobre receitas, despesas e movimentações financeiras. Na prática, uma relação transparente com o contador permite conhecer a realidade do negócio, identificar riscos e avaliar alternativas antes que os problemas se tornem maiores.
A Reforma Tributária deve ser encarada como uma questão de gestão, e não apenas como uma mudança na forma de pagar impostos. Com planejamento, é possível avaliar cenários, revisar preços e preparar a empresa para as novas regras com mais segurança.
Meu conselho aos empresários é que não deixem para a última hora. Procurem seu contador, revisem os custos e avaliem os impactos das mudanças sobre o negócio. Todo empreendedor quer ter sucesso, mas esse resultado exige organização, informação e responsabilidade. Preparar-se para a Reforma Tributária é uma forma de proteger a empresa, preservar sua saúde financeira e criar condições para crescer de maneira sustentável.
*Ironei Santana é contador há mais de 30 anos, especialista em regularidade fiscal e mitigação de riscos, com atuação junto a médias e grandes empresas. Desenvolve projetos voltados à segurança tributária, governança e sustentabilidade empresarial.













