quarta-feira, 4 novembro, 2026

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Sem Mato Grosso, produção de biomassa nativa teria caído no Brasil em 2025

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Foto: Divulgação

Mato Grosso é o maior produtor de biomassa de origem nativa do Brasil e foi o estado que mais contribuiu para o aumento dessa produção no país. Entre 2021 e 2025, o volume no estado subiu 2,98 milhões de metros cúbicos (m³), acima do crescimento de todo o Brasil, de 2,10 milhões. Com isso, a participação mato-grossense no total nacional saltou de 8,2% para 21,5%. É o que mostra a Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE. Os dados de 2025 (janeiro a dezembro) são definitivos.

“Enquanto no restante do Brasil a madeira nativa perdeu espaço, em Mato Grosso ela avançou em 2025. Isso reforça a importância de oferecer ao mercado uma biomassa de origem renovável e rastreável”, afirma o presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa.

No mesmo período, a produção total de biomassa florestal no estado mais que dobrou, de 3,4 milhões para 8,05 milhões de m³. A biomassa de florestas plantadas cresceu 88%, de 1,87 milhão para 3,51 milhões de m³, e cerca de 90% desse volume é de eucalipto. Já a biomassa nativa, de todas as espécies, avançou 190%, de 1,56 milhão para 4,54 milhões de m³, e passou a responder por 56% do total estadual.

“O consumo de biomassa cresceu em Mato Grosso na última década, puxado pelo fortalecimento das agroindústrias, que usam biomassa para alimentar suas caldeiras. O setor de florestas plantadas anteviu esse movimento em seu início e se mobilizou para ampliar a produção, mas hoje a matriz nativa predomina no abastecimento do estado”, avalia Takizawa.

A virada ocorreu a partir de 2024. Em 2023, a floresta plantada atingiu o pico de 5,18 milhões de m³ e respondia por 73% da biomassa produzida em Mato Grosso. Nos dois anos seguintes, recuou 32%, enquanto a nativa saltou de 1,9 milhão para 4,54 milhões de m³. O movimento ocorreu após o órgão ambiental estadual permitir, em 2022, que grandes consumidores utilizassem biomassa proveniente de supressão vegetal autorizada.

“Até 2023, a floresta plantada acompanhou o crescimento da demanda. Com a possibilidade de uso da madeira de supressão pelos grandes consumidores, esse material passou a ocupar o espaço da biomassa de reflorestamento. É uma mudança importante na matriz de abastecimento, que vem sendo acompanhada pela Arefloresta”, afirma o presidente.

“A biomassa de floresta plantada passa por padronização e beneficiamento antes de chegar à caldeira, tem origem conhecida e reduz a pressão sobre a vegetação nativa. Temos área, tecnologia e capacidade para crescer junto com o mercado”, conclui Takizawa.

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