quarta-feira, 4 novembro, 2026

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LAVAGEM MILIONÁRIA

PF rastreia imóveis e suspeita de uso de familiares para ocultar dinheiro em esquema no TCE

Thalyta Amaral

A Polícia Federal investiga negócios imobiliários envolvendo familiares de investigados na Operação Tomada de Contas, que apura um suposto esquema de desvio milionário de recursos públicos no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A suspeita é de que parentes e outras pessoas próximas possam ter sido utilizados para ocultar a verdadeira propriedade de bens e o destino do dinheiro.

As informações constam na representação policial analisada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na decisão, o ministro Og Fernandes destaca que foram identificadas “operações imobiliárias envolvendo familiares” e elementos que, na avaliação da PF, poderiam indicar a utilização de “pessoas interpostas”.

Na prática, os investigadores apuram se imóveis e outros bens foram adquiridos ou movimentados em nome de terceiros para esconder quem realmente controla o patrimônio. A hipótese faz parte da investigação sobre possível lavagem de dinheiro, mas ainda depende de comprovação.

Uma das frentes da apuração envolve o servidor Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, apontado pela PF como um dos investigados com movimentações financeiras expressivas. Os policiais identificaram a aquisição de imóveis e veículos entre 2024 e 2026, período que coincide com os fatos investigados.

A PF também passou a examinar a estrutura de empresas ligadas ao servidor, entre elas a G. P. P. M. M. Participações e Empreendimentos Ltda., descrita na investigação como uma holding familiar patrimonial.

A empresa tem entre os sócios Grhegory, sua esposa e um filho. Segundo a representação, a administração da holding também passou por mudanças envolvendo pessoas ligadas a outros investigados, circunstância que chamou a atenção dos policiais.

A PF identificou ainda uma possível negociação de veículo entre Grhegory e Ricardo Guilherme Nabor Antunes de Almeida, filho do presidente do TCE, Sérgio Ricardo. Segundo a representação, o servidor aparentemente vendeu uma caminhonete RAM 1500 ao filho do conselheiro durante o período investigado.

Outro negócio que entrou no radar foi a criação da Maia Reining Horses Ltda., em julho de 2025, voltada à criação e comercialização de cavalos de alto valor. A PF considera que esse tipo de atividade merece atenção por envolver animais e material genético cujos preços podem variar bastante, o que dificultaria a identificação de eventuais operações de lavagem de dinheiro.

Na decisão, Og Fernandes também destacou a movimentação atribuída a Grhegory, que teria recebido R$ 32,3 milhões, dos quais R$ 31,6 milhões por meio de 179 ordens bancárias avulsas distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras.

Para o ministro, “a magnitude das movimentações financeiras, a utilização de diversas contas e os indicativos de ocultação patrimonial revelam risco concreto de prosseguimento das atividades de lavagem de capitais e de ocultação do produto dos crimes”.

A Operação Tomada de Contas investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no TCE, envolvendo pagamentos milionários, saques em espécie e movimentações financeiras incompatíveis com os valores divulgados pelo órgão.

Entre os investigados estão o presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, servidores e pessoas ligadas à administração da Corte. A apuração identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo cinco investigados, entre janeiro e outubro de 2025.

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