SALDO DE MAIS DE CEM MORTES
Mendes cobra leis mais duras e critica omissão do governo federal após tragédia no RJ
Kamila Araújo
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), voltou a defender mudanças profundas na legislação penal brasileira e a cobrar uma ação mais firme do Congresso Nacional e do governo federal no combate às facções criminosas. A declaração foi feita após os confrontos no Rio de Janeiro, que deixaram mais de 120 mortos e reacenderam o debate sobre a política de segurança pública no país.
Mendes classificou o episódio fluminense como “lamentável e revelador da omissão nacional” diante do avanço das organizações criminosas. Segundo ele, o crescimento das facções é um fenômeno nacional e se tornou “uma epidemia com causas complexas e instrumentos ineficazes de combate”.
“É muito lamentável que precisemos de episódios como esse para o Brasil acordar para o grave problema do aumento das facções criminosas. Elas estão em praticamente todos os estados e cidades. Isso virou uma epidemia. E, com as leis que temos hoje, é quase impossível combater”, afirmou o governador.
Mauro Mendes também criticou o posicionamento do governo federal, que, segundo ele, teria dado “sinais confusos” e até “contrários” ao esforço dos governadores em endurecer o combate às facções.
“Depois do episódio do Rio, os governadores conversaram e percebemos que o governo federal tem se mostrado omisso, por vezes reticente, em apoiar uma ação mais firme. Precisamos de leis duras e instrumentos modernos, e não de discursos”, disse.
“Tolerância zero” em Mato Grosso
O governador destacou que, embora o problema atinja todo o país, Mato Grosso tem adotado uma política rigorosa de enfrentamento. Ele citou o programa Tolerância Zero, criado para ampliar o combate ao tráfico, à extorsão e às organizações criminosas que atuam no estado.
“Aqui combatemos com firmeza. Criamos o Disque-Denúncia, o Disque-Extorsão, porque sabemos que a extorsão hoje é a principal fonte de financiamento das facções. Mas prendemos um criminoso hoje e, dois dias depois, ele é solto. É muito difícil combater o crime com os instrumentos frágeis que temos”, lamentou.
Mendes classificou como “hipocrisia” a reação pontual a tragédias como a do Rio, enquanto o país ignora a rotina de violência diária. “Essas facções matam cerca de 100 pessoas por dia no Brasil. São mais de 40 mil assassinatos por ano, e ninguém é convocado para depor, ninguém se mobiliza. É uma tragédia silenciosa que está normalizada”, afirmou.
Apoio a Cláudio Castro e críticas à inércia federal
O governador elogiou a atuação do colega Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, afirmando que ele “teve coragem de enfrentar o crime” e que a reação policial foi necessária.
“O governador do Rio foi corajoso. Enfrentou, e a polícia reagiu. Mas é preciso lembrar: todos os dias esses bandidos matam cem pessoas no país, e ninguém faz nada”, completou.
Cobrança ao Congresso Nacional
Mauro Mendes também criticou a falta de prioridade do Congresso em relação à segurança pública, afirmando que o Legislativo age rapidamente para temas econômicos, mas ignora o colapso da segurança.
“Quando quiseram aprovar a reforma tributária, fizeram rápido, mesmo sendo um tema complexo. Por que não fazem o mesmo com a segurança pública? O nosso Código Penal é de 1940. O mundo mudou, o crime evoluiu, e o Brasil segue com leis ultrapassadas. Isso é um absurdo”, pontuou.
O governador defendeu a aprovação de leis mais duras, a modernização do Código Penal e a criação de instrumentos eficazes para punir e desarticular facções.
“A insegurança pública atormenta o brasileiro. Muitos vivem atrás de grades, em condomínios, compram carros blindados, e outros simplesmente vão embora do país. O Congresso e o governo federal precisam agir, e rápido. O que falta não é proposta, é vontade política”, concluiu Mendes.



