TEMA SÉRIO
Prefeito de Diamantino vê soberba em apelido “Gilmarlândia” e defende discussão séria sobre nova cidade
Kamila Arruda
A repercussão nacional da proposta de criação de um novo município no interior de Mato Grosso, apelidado de “Gilmarlândia” em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, provocou reação cautelosa do prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União). Para o gestor, a ideia acabou sendo tratada como uma “brincadeira com uma coisa séria”, o que pode transmitir uma imagem equivocada de soberba ou arrogância.
Em entrevista, o prefeito ressaltou que não é contra o desenvolvimento da região, mas avaliou que o debate precisa ocorrer de forma responsável e com participação dos municípios diretamente impactados.
“Eu acredito que foi uma brincadeira com uma coisa séria e que pode soar, aos olhos de alguém, como soberba ou arrogância, o que não faz parte da nossa forma de agir. A gente é a favor do desenvolvimento, mas isso precisa ser tratado com seriedade”, afirmou.
A proposta que ganhou destaque neste ano prevê a criação de um novo município chamado oficialmente Nova Aliança do Norte, mas que acabou sendo apelidado de “Gilmarlândia”. A futura cidade estaria localizada entre Diamantino e São José do Rio Claro, a cerca de 300 quilômetros de Cuiabá. Caso saia do papel, o território poderia se tornar o 143º município de Mato Grosso.
O projeto foi apresentado em um evento liderado pelo produtor rural Eraí Maggi e contou com a presença do próprio ministro Gilmar Mendes, natural de Diamantino. A iniciativa busca criar uma cidade planejada em uma região marcada pela forte expansão do agronegócio.
Região distante dos centros urbanos
Chico Mendes destacou que a área discutida para a possível nova cidade fica em uma região estratégica, distante dos principais centros urbanos, o que dificulta o acesso da população a serviços públicos.
Segundo ele, o local está praticamente equidistante de vários municípios.
Aproximadamente 120 km de Campo Novo do Parecis
Cerca de 90 km de Nova Mutum
Cerca de 90 km de Diamantino
Cerca de 90 km de São José do Rio Claro
Diante desse cenário, o prefeito reconhece que existe espaço para discutir formas de ampliar a estrutura de atendimento à população local.
“Atualmente, por exemplo, a prefeitura percorre cerca de 20 quilômetros para buscar estudantes naquela região. Diamantino e São José do Rio Claro acabam dando suporte para essas famílias”, explicou.
Possibilidade de distrito ou vila
Embora considere precipitada a discussão sobre a criação imediata de um novo município, Chico Mendes avalia que uma alternativa viável poderia ser a criação de uma vila ou distrito, capaz de garantir infraestrutura básica e melhorar a qualidade de vida dos moradores.
Ele também destacou o potencial econômico da região, impulsionado por empreendimentos ligados ao agronegócio.
Entre os fatores que motivam a discussão estão:
presença de uma usina já instalada na região;
projeto de uma segunda usina;
existência de um lago com cerca de mil hectares;
expansão das atividades agrícolas.
Para o prefeito, a estruturação urbana da área poderia ajudar inclusive na fixação de mão de obra no campo, uma dificuldade crescente para grandes propriedades rurais.
“Criando uma vila ou distrito, com saúde e educação, você facilita para que trabalhadores morem mais perto das fazendas. Hoje está muito difícil manter mão de obra no campo”, pontuou.
Território na divisa de municípios
Outro ponto levantado pelo gestor é a questão territorial. A área onde se discute a criação da nova cidade fica exatamente na divisa entre Diamantino e São José do Rio Claro, o que tornaria inevitável a participação dos dois municípios em qualquer processo de reorganização administrativa.
“Ali existe uma ponte que separa os dois municípios. Então qualquer solução teria impacto nos dois lados”, explicou.
Segundo ele, mais importante que definir a qual município a área pertence é garantir melhores condições de vida para quem já reside no local. “O essencial é que aquelas pessoas tenham acesso mais confortável a serviços e qualidade de vida”, disse.
Debate ainda depende de etapas legais
A criação de um novo município exige uma série de etapas legais, como estudos de viabilidade econômica, consultas públicas e aprovação legislativa, o que torna o processo longo e complexo.
Para Chico Mendes, qualquer avanço nesse sentido precisa ocorrer de forma planejada e com apoio do governo estadual, para evitar que os municípios existentes acabem sobrecarregados financeiramente.
“Somos a favor do desenvolvimento, mas ele precisa ser pautado, coerente e garantir que não haja prejuízo para os municípios que já existem”, concluiu.



