DISPUTA DE R$100 MILHÕES
Ligação após execução reforça suspeita contra apontada mandante da morte de Roberto Zampieri
Muvuca Popular
Uma ligação telefônica realizada logo após o assassinato do advogado Roberto Zampieri foi um dos elementos considerados pela Justiça de Mato Grosso para decretar a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo, apontada pelo Ministério Público como integrante do núcleo mandante do crime.
A decisão foi proferida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, ao receber a denúncia contra os investigados por envolvimento no homicídio de Zampieri e na suposta organização criminosa denominada “Comando C4”.
Segundo a magistrada, as investigações identificaram movimentações financeiras consideradas compatíveis com pagamentos destinados à execução do advogado. Além disso, um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a sequência de contatos telefônicos realizados imediatamente após o crime.
Conforme consta na decisão judicial, logo depois da execução de Roberto Zampieri, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como intermediador do esquema, teria telefonado para Hedilerson Fialho Martins Barbosa e, na sequência, realizado chamadas separadas para Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo. Para a acusação, os contatos seriam compatíveis com uma espécie de “prestação de contas” aos supostos contratantes do homicídio.
A Justiça também destacou que as quebras de sigilo bancário revelaram saques em espécie e movimentações financeiras consideradas suspeitas, que teriam sido utilizadas para remunerar os envolvidos na execução. Os valores investigados ultrapassariam R$ 180 mil, divididos antes e depois do assassinato.
Na decisão, a magistrada ressaltou que os indícios reunidos vão além da relação conjugal entre Elenice e Anibal Laurindo, já preso preventivamente. Para a juíza, há elementos individualizados que apontam a participação da investigada no esquema que teria resultado na morte do advogado.
O Ministério Público sustenta que o assassinato de Roberto Zampieri foi motivado por uma disputa possessória envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. A denúncia aponta que uma organização criminosa armada teria sido contratada para executar o advogado mediante pagamento.
Com o recebimento da denúncia, os acusados passam a responder formalmente à ação penal. O processo seguirá agora para a fase de instrução, quando serão ouvidas testemunhas e produzidas novas provas antes do julgamento do caso.


