Para o conselheiro do CNJ Rodrigo Badaró, o novo modelo enfrenta um problema antigo: a dificuldade e a demora no compartilhamento de soluções tecnológicas entre os tribunais. “Até recentemente, o tribunal interessado em utilizar a solução desenvolvida por outro tribunal precisava percorrer um longo caminho, que podia levar meses ou até mais de um ano. E, na tecnologia, não temos tempo a perder”, afirmou.
O juiz auxiliar da Presidência do CNJ Henrique Paiva explicou que a nacionalização simplifica significativamente o acesso dos tribunais às tecnologias desenvolvidas por outras instituições. “Antes, muitos tribunais já entravam em contato com o TJMT pedindo a realização de um acordo para poder acessar as ferramentas aqui desenvolvidas. Com a nacionalização pelo Conecta, esse processo se torna desnecessário”, observou.
A juíza auxiliar da Corregedoria Nacional da Justiça Luciana Dória também chamou a atenção para a importância de dar visibilidade às tecnologias desenvolvidas nos tribunais. Ela participou de inspeções que ajudaram a identificar soluções posteriormente apresentadas ao Conecta. “Não é só importante trazer essas soluções para nacionalizar. É importante que a gente conheça e dê visibilidade a elas. O mais importante hoje não é só disponibilizar, mas saber que o colega do tribunal vizinho, o tribunal parceiro, já pode estar desenvolvendo soluções que são necessárias e que você pode adotar no seu tribunal”, afirmou, incentivando magistrados e servidores a acompanharem a página e as publicações do Programa Conecta.
A primeira delas foi a OmnIA, voltada à gestão das unidades judiciais por meio de dados e inteligência artificial. A ferramenta permite que magistrados e servidores interajam com informações e painéis de gestão de forma mais simples, recebendo apoio para compreender a situação da unidade e identificar caminhos para melhorar seus indicadores. “Em vez de ter apenas um painel frio de BI, o usuário pode conversar com seus dados e receber possibilidades de como atuar naquela unidade para alcançar os indicadores e entregar um resultado efetivo ao cidadão no menor tempo possível, de forma mais eficiente”, explicou Saboia.
O juiz Jeremias Melo, diretor do Núcleo de Inovação da Justiça da Paraíba e membro do Programa Conecta do Justiça 4.0, classificou o lançamento como um momento marcante para a inovação colaborativa no Judiciário. “É um momento de muita alegria para o Conselho Nacional de Justiça e para o Programa Conecta, especialmente. Esse ambiente de inovação aberta nos trouxe a preocupação de desenvolver em colaboração. A gente gastava o mesmo tempo, energia e dinheiro para resolver os mesmos problemas”, afirmou.



