PRISÃO FOI MANTIDA
Defesa nega ligação de empresária com tráfico e denuncia falhas em operação da PF
Muvuca Popular
O advogado Fernando Faria afirmou que não existem elementos suficientes para manter presa a empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, uma das sócias de um conhecido bar de luxo Tatu Bola, localizado na região da Praça Popular, em Cuiabá. Ela foi presa na manhã de terça-feira (25), pela Polícia Federal, na Operação Bóreas, durante ação contra um grupo suspeito de usar aeronaves e pistas clandestinas para transportar cocaína e armas ao Brasil.
Segundo a defesa, os documentos reunidos na investigação não demonstram a participação de Thatiana nos crimes apurados nem qualquer relação entre a empresa da qual ela é sócia e o suposto esquema criminoso.
“Os elementos que existem nos autos são insuficientes até para colocá-la como investigada e mais insuficientes ainda para manter a prisão. Não há nada relacionado à empresa”, declarou Fernando.
O advogado afirmou que Thatiana possui residência fixa, não tem antecedentes criminais e é mãe de uma criança de 9 anos. Para a defesa, essas circunstâncias permitiriam a substituição da prisão preventiva por outras medidas cautelares.
Fernando também sustenta que ocorreram irregularidades durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Segundo ele, agentes teriam acessado o celular da empresária antes de o aparelho ser lacrado e a teriam obrigado a desbloqueá-lo.
“A defesa vai discutir isso nos autos. O delegado pegou o celular, verificou o conteúdo, colocou o aparelho no modo avião e somente depois fez o lacre. Não houve a preservação adequada da cadeia de custódia”, alegou.
A defesa questiona ainda o início da diligência antes da chegada de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Conforme Fernando, a Polícia Federal teria iniciado o procedimento sem aguardar o acompanhamento da entidade, apesar de Thatiana exercer a advocacia.
Outro argumento apresentado é o fato de a investigada ser responsável pelos cuidados diários da filha. O advogado afirmou que a decisão que decretou a prisão não teria mencionado que ela é advogada nem que possui uma criança menor de 12 anos.
Com base nesses pontos, a defesa pretende pedir a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares. Caso o pedido seja negado pela primeira instância, Fernando afirmou que recorrerá ao Tribunal.
A operação cumpriu ordens judiciais em Cuiabá e Palmas, no Tocantins. Foram expedidos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. A Justiça Federal também autorizou a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores.
As decisões foram expedidas pela 4ª Vara Federal de Palmas. A Polícia Federal também pediu a inclusão de dez investigados nos mecanismos de Difusão Vermelha da Interpol.
De acordo com as investigações, o grupo seria responsável pela preparação de voos e pelo uso de aeronaves e pistas clandestinas para transportar grandes quantidades de cocaína e armas de fogo. As cargas teriam origem na Bolívia e no Peru e seriam levadas para o Brasil.
A apuração começou a partir de apreensões recentes de drogas realizadas no Tocantins. Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros crimes eventualmente identificados. A advogada passou por audiência de custódia na noite de terça-feira e segue presa na capital.



