CRIME EM 2024
TJ nega liberdade a agricultora apontada como mandante da morte de Renato Nery
Patrícia Neves
O desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou o pedido urgente de liberdade apresentado pela defesa da agricultora Julinere Goulart Bentos, apontada pelo Ministério Público como uma das mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. Com a decisão, ela permanece presa preventivamente enquanto o habeas corpus aguarda julgamento definitivo pelo colegiado.
Julinere está presa desde 8 de maio de 2025. No habeas corpus, a defesa alegou excesso de prazo na tramitação do processo e pediu a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a substituição da custódia por medidas cautelares.
Os advogados argumentaram que Julinere foi pronunciada em 6 de maio deste ano e que o recurso apresentado contra a decisão ainda não foi julgado. A defesa também citou o agravamento do estado de saúde física e emocional da filha adolescente da investigada como motivo para que ela respondesse ao processo fora da prisão.
Ao analisar o pedido, Giraldelli concluiu que não havia, nesta fase inicial, ilegalidade evidente, abuso de poder ou ausência dos requisitos que sustentam a prisão preventiva. Segundo o magistrado, a alegação de demora precisa ser avaliada considerando toda a movimentação do processo, incluindo as remessas dos autos e as diligências determinadas durante a tramitação do recurso.
O desembargador também afirmou que a condição de saúde da adolescente, apesar de relevante, já havia sido analisada recentemente pela 14ª Vara Criminal de Cuiabá. Na ocasião, o juízo entendeu que os documentos médicos apresentados não eram suficientes para afastar os fundamentos da prisão ou permitir a aplicação de outras medidas cautelares.
Outro ponto levantado pela defesa foi a habilitação das filhas de Renato Nery como assistentes de acusação. Os advogados sustentam que o ingresso delas no processo não poderia provocar a reabertura de etapas já encerradas. Para Giraldelli, a controvérsia exige uma análise mais aprofundada e não pode ser resolvida de maneira provisória no exame inicial do habeas corpus.
Antes do julgamento definitivo, o relator determinou que a autoridade apontada como responsável pela manutenção da prisão apresente informações no prazo de cinco dias. Depois disso, a Procuradoria-Geral de Justiça deverá emitir parecer. O mérito será analisado pelos desembargadores da Terceira Câmara Criminal.
Conforme o Ministério Público, as investigações reuniram elementos que indicam o envolvimento direto de Julinere e de seu marido, o empresário Cesar Jorge Sechi, no planejamento e na contratação do assassinato. Julinere é apontada como mentora intelectual e coordenadora do crime, enquanto Cesar teria participado da articulação e da coordenação financeira do homicídio.
A acusação sustenta que o crime foi motivado por um longo conflito judicial envolvendo uma área rural de grande extensão em Novo São Joaquim. Após décadas de disputa, Renato Nery obteve decisão favorável na ação relacionada à propriedade, resultado que teria provocado ressentimento e inconformismo no casal.
Renato Nery tinha 72 anos e foi morto a tiros em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, em 5 de julho de 2024. Segundo o Ministério Público, o assassinato foi executado por uma estrutura criminosa organizada, formada por diversos integrantes e com divisão de tarefas.
Julinere e Cesar são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio que resultou em perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.



