NÃO SE PODE GENERALIZAR
Estupro por investigador em unidade policial é “inadmissível”, afirma delegada-geral ao anunciar revisão de protocolos
A delegada-geral da Polícia Civil de Mato Grosso, Daniela Silveira Maidel, afirmou na manhã desta terça-feira (3), que é “inadmissível” a ocorrência de abuso sexual dentro de uma unidade policial e garantiu que todos os procedimentos internos da instituição estão sendo reavaliados após a prisão de um investigador acusado de estuprar uma detenta na Delegacia de Sorriso.
O servidor foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade, após exames periciais confirmarem a compatibilidade genética entre o material biológico coletado da vítima e o do investigado. O inquérito já foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para o prosseguimento da ação penal.
Segundo Daniela Maidel, além da responsabilização criminal, a esfera administrativa também avança. “A parte administrativa já está adiantada, as investigações foram concluídas e, em breve, a Corregedoria deve divulgar o resultado do processo disciplinar”, afirmou.
A delegada-geral destacou ainda a necessidade de mudanças estruturais para evitar novos casos. De acordo com ela, foi identificada a ausência de câmeras em determinados ambientes da unidade, o que deverá ser corrigido. Também será reforçada a presença de policiais femininas em plantões e delegacias que mantêm mulheres custodiadas.
“Uma ocorrência dessa natureza é inadmissível. Estamos revendo todos os procedimentos internos para reforçar os mecanismos de controle e fiscalização”, declarou. Ela ressaltou, contudo, que o episódio não pode servir para generalizar a atuação da instituição. “A Polícia Civil é composta, em sua imensa maioria, por profissionais corretos, trabalhadores e responsáveis. Não podemos medir toda uma instituição pelo ato isolado de uma única pessoa”, pontuou.
O caso veio à tona na primeira quinzena de dezembro de 2025, após requisição do Ministério Público à Delegacia de Sorriso relatando que uma mulher, presa temporariamente por suspeita de homicídio, teria sido abusada sexualmente enquanto estava custodiada. Diante da denúncia, foi instaurado inquérito imediato.
Durante as investigações, foram ouvidas detentas que dividiam cela com a vítima e policiais plantonistas, além da realização de exames periciais. Com base nas provas, a autoridade policial representou pela prisão preventiva do investigador, além de mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo telefônico. As medidas foram cumpridas no dia 1º de fevereiro, e o servidor, de 52 anos, foi encaminhado à Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães após audiência de custódia.
Paralelamente, a Corregedoria instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar para apurar a conduta funcional do policial.
A mulher que denunciou o abuso havia sido presa por envolvimento em um homicídio em Sorriso. No curso das investigações desse crime, a Delegacia representou pela revogação da prisão temporária para que ela respondesse em liberdade até a conclusão do inquérito. Posteriormente, porém, foi expedido novo mandado de prisão preventiva pelos crimes de tortura e organização criminosa. Atualmente, ela é considerada foragida.


