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OPERAÇÃO PENTÁGONO III

Ataque de Confresa teve ao menos R$ 3,5 milhões investidos; polícia aponta principal financiador

Nickolly Vilela

A Polícia Civil de Mato Grosso apontou que o ataque a Confresa, em 2023 — considerado um dos maiores crimes da história do estado, apesar de frustrado — teve ao menos R$ 3,5 milhões investidos na ação criminosa. O principal financiador identificado é Francivaldo Moreira Pontes, conhecido como “Velho Ban”, que utilizava ao menos três identidades falsas.

Segundo o delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Gustavo Belão, o financiamento partiu de um consórcio de criminosos de diferentes estados, e não diretamente de uma facção. “São pessoas que se uniram para viabilizar essa atividade criminosa”, afirmou. Há envolvidos de São Paulo, Pará, Maranhão e Tocantins.

Apontado como um dos principais articuladores financeiros, Francivaldo, o “velho ban”, é  também é investigado por participação direta na ação em Confresa. Segundo a Polícia Civil, ele esteve na cidade no dia do ataque e há indícios de que integrou a execução do crime.

Após a ação, ele teria sido um dos criminosos que conseguiram escapar do cerco policial na região do Tocantins. A investigação aponta que Francivaldo pode ter se ferido durante a fuga. Imagens obtidas pelos investigadores mostram o suspeito machucado, utilizando uma bengala dias depois do ataque.

Considerado um criminoso experiente, com atuação desde 2007 em roubos a banco e ataques a carro-forte, ele se tornou alvo prioritário das forças de segurança ao longo da investigação.

Meses depois, o trabalho de inteligência conseguiu localizá-lo escondido em uma ilha de difícil acesso no Pará. Foi montada uma operação conjunta para capturá-lo, com deslocamento de equipes durante a noite por áreas de mata, além do uso de embarcações e apoio aéreo.

Francivaldo, no entanto, morreu no dia da captura, que aconteceu em outubro de 2024. Ainda assim, segundo a Polícia Civil, ele teve papel central no financiamento e na estruturação da ação criminosa.

O caso

Em um domingo, 9 de abril de 2023, 20 criminosos fortemente armados sitiaram Confresa, cidade a 1.050 quilômetros de Cuiabá, em uma ação coordenada. Parte do grupo invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu policiais e incendiou o prédio público, enquanto outras frentes da quadrilha destruíram veículos e prédios públicos, criando um clima de terror entre a população local.

O principal alvo da ação era a transportadora de valores Brinks. Utilizando explosivos de alta potência, o grupo criminoso tentou arrombar o cofre, mas não teve êxito e foi forçado a fugir, abandonando os veículos e parte do material utilizado na ação.

Domínio de cidades

Essa modalidade se caracteriza pela violência instrumental e performática empregada na ação, quando grupos criminosos questionam a capacidade das instituições de garantir a segurança pública no município alvejado, e consiste no planejamento, recrutamento, preparação, invasão e ocupação da cidade-alvo; por fim, há a evasão.

O “domínio de cidades” sempre se dá mediante o emprego de violência extrema, uso ostensivo de armas de grosso calibre, uniformes táticos e equipamentos de proteção balística, com o emprego de explosivos de alta capacidade destrutiva.

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