VAI PRA DISNEY
Empresário suspeito de movimentar R$ 63 milhões consegue retirar tornozeleira para viagem
Muvuca Popular
O empresário Rogério de Araújo Sales, investigado por contrabando e apontado como responsável por movimentar mais de R$ 63 milhões em operações ilícitas em Mato Grosso, obteve na Justiça Federal autorização para retirar a tornozeleira eletrônica e realizar uma viagem de férias à Disneylândia, na Flórida (EUA).
A liberação temporária da medida cautelar foi concedida na semana passada pelo desembargador federal Leão Alves, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O pedido partiu da defesa, que informou a existência de viagem internacional programada entre os dias 14 e 28 de abril, com previsão de reinstalação do equipamento após o retorno ao Brasil.
Os advogados sustentaram que, durante o período fora do país, o monitoramento eletrônico teria eficácia limitada, o que tornaria a medida pouco útil. Como alternativa, sugeriram a adoção de providências menos restritivas, como a apresentação de comprovantes de embarque e desembarque, além do comparecimento obrigatório após a viagem.
Inicialmente, o juiz federal Francisco Antônio de Moura Júnior negou a solicitação. Ao analisar documentos como passagens, reservas de hospedagem e ingressos de parques temáticos, ele concluiu que se tratava de viagem de lazer, sem caráter excepcional que justificasse a flexibilização da medida cautelar.
A defesa recorreu da decisão, e o desembargador acabou autorizando a suspensão do uso da tornozeleira durante o período da viagem. Embora a decisão completa não tenha sido localizada, há registro publicado na última quinta-feira (9) determinando a comunicação à Coordenadoria de Monitoramento Eletrônico após o deferimento do pedido.
Procurado, o advogado Anderson Amaral Rosa, que representa o empresário, afirmou que não comentaria o caso. O Ministério Público Federal (MPF) e o gabinete do desembargador também foram acionados, mas não se manifestaram até o momento.
Sales foi preso sob suspeita de envolvimento com contrabando após investigações que tiveram início com a prisão em flagrante de outro suspeito. A análise do celular desse indivíduo levou a Polícia Federal até o empresário, apontado como um dos fornecedores de cigarros eletrônicos.
Ele também foi alvo da Operação Relutância, que investigou um grupo suspeito de importar e distribuir ilegalmente grandes quantidades desses produtos em Mato Grosso e em outras regiões do Centro-Oeste e Norte do país.
De acordo com a apuração, o empresário movimentou R$ 63.775.058,00 em contas bancárias, sobretudo por meio de sua empresa. Dados da Receita Federal indicam ainda que, entre 2022 e 2024, ele declarou rendimentos de R$ 402 mil, enquanto os gastos no cartão de crédito ultrapassaram R$ 2,9 milhões.
Em decisão que determinou sua prisão em outubro de 2025, a juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira apontou indícios de ligação direta com fornecedores paraguaios e pagamento de taxas à facção criminosa Comando Vermelho, o que, segundo ela, evidencia associação com organização estruturada e eleva o grau de periculosidade.
O empresário deixou a prisão no fim de novembro e, desde então, cumpria medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.


