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“Chega uma hora que a gente explode”, diz jovem que matou padrasto para defender a mãe
Muvuca Popular
“Chega uma hora que a gente fica para explodir.” A frase é da jovem Raquel Teodoro Pontes, de 19 anos, que confessou ter matado o padrasto, Sandro Rodrigues de Assis, de 40 anos, em Cuiabá. Em depoimento à Polícia Civil nesta quinta-feira (16), ela afirmou que agiu para defender a mãe durante uma discussão dentro de casa.
O crime ocorreu na quarta-feira (15), na residência da família, no bairro Voluntários da Pátria. Segundo a jovem, ela chegou no meio da briga e viu o padrasto em atitude agressiva contra a mãe. Diante da situação, foi até a cozinha, pegou uma faca e o atingiu, alegando ter agido em um momento de desespero.
Durante o depoimento, Raquel relatou um histórico de violência no ambiente familiar. De acordo com ela, a mãe já havia sido vítima de ameaças e agressões por parte do companheiro, incluindo um episódio em que ele a segurou pelo pescoço e ameaçou matá-la com um facão. A vítima chegou a registrar boletim de ocorrência anteriormente e obteve medida protetiva.
A jovem também afirmou que o padrasto costumava levar pessoas para consumir drogas dentro da residência durante a madrugada, o que contribuía para o clima de tensão na casa. Além disso, relatou ter sido vítima de abuso por parte do homem em duas ocasiões, embora não tenha formalizado denúncia à época.
Mesmo diante desse histórico, Raquel disse que a mãe manteve o relacionamento com o suspeito, situação que, segundo ela, aumentava o sentimento de revolta. “Eu evitava ao máximo, mas chega uma hora que a gente fica para explodir”, declarou.
Após ser ouvida, a jovem teve a liberdade provisória concedida pela Justiça, sem pagamento de fiança, mas com a imposição de medidas cautelares. Entre elas, estão a obrigação de manter endereço atualizado, comparecer a todos os atos do processo, não se ausentar da comarca sem autorização judicial, não portar armas e não consumir bebidas alcoólicas ou drogas.
Ela também está proibida de frequentar bares e locais semelhantes e deverá comprovar participação em reuniões de apoio, sob pena de ter a prisão preventiva decretada em caso de descumprimento.


