ÍNDICES ALARMANTES
Avallone destaca crise na saúde mental na entrega de novo CAPS para jovens em Cuiabá
Nickolly Vilela
Cuiabá passa a contar com uma nova estrutura voltada ao atendimento em saúde mental de crianças e adolescentes em um cenário considerado crítico. Durante a inauguração do CAPS Adolescer, nesta quarta-feira (6), o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) chamou atenção para a gravidade dos indicadores: “Lá no HMC chegam quatro a cinco tentativas de suicídio por dia. E a cada 20, um consegue se suicidar”, afirmou. “Os números são assustadores no Brasil, no mundo e também em Mato Grosso e em Cuiabá.”
Ao comentar a importância da nova unidade, o deputado ressaltou que o espaço vai além da estrutura física. “Não é a inauguração de um prédio frio. Isso aqui tem alma. E essa é uma área que precisa ter alma, porque estamos falando de sofrimento, especialmente de crianças e adolescentes”, disse.
A nova unidade integra um esforço mais amplo de ampliação da rede de atenção psicossocial no estado. Segundo o parlamentar, a iniciativa começou há cerca de quatro anos, com a criação da Câmara Setorial de Saúde Mental na Assembleia Legislativa, que apontou a necessidade de um investimento inicial de R$ 88 milhões para estruturar o setor.
“Conseguimos colocar uma emenda de R$ 88 milhões no orçamento do Estado, com execução ao longo de quatro anos. Já começou no ano passado”, explicou. Parte desses recursos tem sido distribuída entre unidades de saúde, incluindo o novo CAPS Adolescer, que deve receber mais de R$ 200 mil em emendas parlamentares. Outros centros, como o CAPS III e o CAPS II do CPA IV, também foram contemplados.
Avallone destacou ainda a participação de diferentes instituições no financiamento e estruturação da rede, citando recursos do Ministério Público e o envolvimento de profissionais e gestores da área. Ele também reconheceu entraves na execução local. “No caso de Cuiabá, isso estava parado. As coisas não andavam. E hoje a gente vê a qualidade dessa entrega”, afirmou.
O deputado também defendeu a necessidade de qualificar o atendimento em situações de crise, especialmente entre o público infantojuvenil. Segundo ele, ainda há desafios na condução de casos mais graves. “A gente vê situações de crianças sendo contidas durante crises por falta de um processo mais claro. Não é culpa do médico ou da estrutura, mas da ausência de protocolos mais definidos. Estamos trabalhando nisso”, pontuou.
A expectativa, de acordo com o parlamentar, é que Cuiabá se consolide como referência regional em saúde mental, especialmente por ser o principal polo urbano do estado, ao lado de Várzea Grande. Ele adiantou ainda que novas entregas estão previstas, como a inauguração de uma unidade voltada ao atendimento de pessoas com autismo em Campo Verde.
“Isso não é uma luta individual. É uma causa que precisa envolver toda a sociedade”, concluiu.


