DITADO POPULAR
“Canetas emagrecedoras” mudam consumo e levam empresário a reinventar cardápio
Muvuca Popular
O avanço do uso de medicamentos para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, começou a impactar diretamente o setor de bares e restaurantes em Cuiabá. A percepção é do empresário Kadu Meoli, CEO do tradicional bar Ditado Popular, instalado na Praça Popular, em Cuiabá, afirma ter identificado uma queda no consumo dos clientes e decidiu adaptar o cardápio do estabelecimento.
Segundo Kadu, a mudança foi percebida durante uma análise interna do faturamento e do comportamento dos consumidores.
“Eu estava fazendo um fechamento do mês, conferindo os números do que é consumido, e percebi uma coisa que não sai da minha cabeça. Aquela mesa que antes pedia três rodadas, agora pede uma. Cliente que sempre fechava com sobremesa vai embora depois da primeira cerveja”, relatou.
O empresário contou que chegou a conversar com garçons e gerentes para entender se a percepção era geral. De acordo com ele, a resposta veio rapidamente.
“Um dos garçons falou: ‘metade das minhas mesas está na caneta. Eu já sei quem é só pelo jeito que pede’”, afirmou.
Kadu acredita que o setor de bares e restaurantes está diante de uma mudança silenciosa de comportamento, impulsionada pelo uso de medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e similares, conhecidos por reduzir o apetite.
“A pessoa na caneta não bebe tanto, não belisca, não pede segunda rodada. O apetite vai embora e, junto com ele, o ticket médio”, disse.
Apesar de reconhecer os benefícios relacionados à saúde, o empresário alerta que muitos estabelecimentos ainda não perceberam o impacto econômico da nova realidade.
“O cara está cuidando da saúde, isso é legítimo. Mas o bar que não perceber essa mudança e não adaptar sua oferta, experiência e precificação vai sentir no caixa sem entender o motivo”, pontuou.
Para enfrentar o novo cenário, o Ditado Popular passou a investir em porções menores e mais flexíveis no cardápio. Em vez de opções grandes e compartilhadas, o cliente agora pode escolher versões reduzidas.
“Antes eram 12 bolinhos, agora a pessoa pode pedir dois. O pastel pode vir em menor quantidade. A ideia é a pessoa consumir de acordo com a fome, mas continuar frequentando e consumindo”, explicou.
Na avaliação do empresário, a transformação vai além da alimentação e atinge diretamente o conceito de lazer e prazer associado aos bares.
“O bar sempre vendeu prazer, comida, bebida, um excesso controlado. A caneta está redesenhando o que é prazer para uma geração inteira”, concluiu.


