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LEGÍTIMA DEFESA

“Foi um ataque suicida”, diz investigador que matou policial militar em conveniência

Muvuca Popular

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“Foi um ataque suicida. Ele não estava somente em luta. Estava ali na intenção de me matar. Ele assumiu o risco ao avançar para tomar a arma de uma pessoa que estava em cima de duas armas. Eu não acreditava que sairíamos os dois vivos dali”.

A declaração foi dada pelo investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, durante depoimento prestado na tarde desta quinta-feira (14), no terceiro dia do Tribunal do Júri que apura a morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em Cuiabá.

Em um dos momentos mais tensos da audiência, o investigador afirmou que agiu para preservar a própria vida durante a luta corporal travada com o militar. Segundo ele, os disparos ocorreram enquanto tentava se desvencilhar do policial.

“Eu comecei a perder a consciência e acreditei que a arma estava na mão dele. Não tive opção. Os disparos aconteceram comigo sendo sufocado e atirando de lado. Foi tudo muito rápido. Só quem passa por um momento de sobrevivência, de vida ou morte, sabe o que é isso. Eu fui atirando para me desvencilhar dele. Eu queria sobreviver”, declarou.

O julgamento ocorre no plenário do Fórum da Capital e é conduzido pelo juiz Marcos Faleiros da Silva. A acusação é representada pelo promotor Vinícius Gahyva Martins, com assistência do advogado Rodrigo Pouso. Já a defesa do investigador é feita pelos advogados Cláudio Dalledone e Renan Canto.

O caso

De acordo com as investigações, o crime ocorreu na madrugada de 28 de abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, em Cuiabá.

Segundo o inquérito, Thiago de Souza Ruiz chegou ao local acompanhado de um amigo. Minutos depois, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves também foi ao estabelecimento e acabou sendo apresentado ao militar.

Imagens de câmeras de segurança registraram os dois conversando antes da confusão. Conforme a investigação, em determinado momento, o policial militar mostrou a arma que carregava na cintura. Na sequência, o investigador civil tomou posse do revólver e efetuou os disparos que atingiram a vítima, morta ainda no local.

Ao longo dos dois primeiros dias de julgamento, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, incluindo delegados da Polícia Civil, investigadores e pessoas que presenciaram os fatos. A expectativa é que, após o encerramento da fase de depoimentos, o júri avance para os debates entre acusação e defesa.

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